O que você quer da Magia?

Lendo um livro sobre o poder da magia, me inquitei com uma pergunta quase solene, se não básica, para os que trabalham com magia ou pretendem se aprofundar nessa ciência: o ato de escrever é fato e poético ou é uma simulação?

Cada experiência que temos e cada relato de vida, cada frustração ou cada pedaço de um todo que parece nunca se completar, cada lembrança e cada história, cada sensação e cada fato marcante, cada verdade e cada mentira, cada conquista e cada perda, cada movimento e cada inércia, cada descoberta e cada reavaliação cabem ser anotados.

É disso que falamos todos que trabalhamos com magia, quando citamos o Livro das Sombras. É o registrar tudo o que está pertinente a nossos estudos e processos evolutivos e não menos construem nossa história desse ponto em diante, agregando valor ao que se passou e dando base para os valores futuros. Mas registrar cada momento presente é estabelecer um vínculo gracioso com a vontade que se tem de estudar magia e vivencia-la.

É preciso se sentir compelido ou, no mínimo, obrigado - sim! obrigado! - a registrar seus fatos, idéias, causos e por aí vai, porque é disso que falamos quando citamos também legado, experiência e maturidade mágica. O ideal é que escrevamos de livre impulso, porque além do que realmente a emoção emplaca, podemos imprimir na grafia a pressão correta daquela momento e, daí, dar forma aquele momento enquanto energia. Para os mais preguiçossos, ainda se vale da modernidade na virtualidade, mas o sentido de posse deve ser praticado com exemplar maestria, porque não deve ser um livro aberto, mas um diálogo consigo mesmo. Não é para os outros lerem, nem para acharem legal, mas para se bastar. Em si. Sem voltas, sem fugas.

Alguns chamam isso de conversa consigo, outros de reanálise, outros ainda de diário. Mas o Livro das Sombras (Tah'og, em old celtic) é a guarda e a portaria para nossa vida mágica, se não quisermos passar despercebidos em nossa própria história por sermos rasos, com ares de quem experimentou um grupo de estudos mágicos somente porque é bacana ser diferente.

E a magia é normal, natural e absoluta. Não é para ser diferente, é para ser igual, por isso mágica.

Aproveite e se pergunte: o que mesmo eu estou fazendo num grupo que estuda magia?

Para os que desejam ir adiante, persistência, parcimônia, disciplina, repetição, observação, criatividade, confiança e senso de risco. O caminhar, os próprios pés já fazem, se essas premissas forem contempladas. Do contrário, fiquem consigo mesmos e todos os espaços de baladas, clubes, diversões e forma de laser que puderem suportar, que também têm sua magia, mas que se limita a do prazer do momento. E isso não é plenamente mágico. É somente poético.