O Fantástico na Arte do Oculto.


A Arte da Magia Negra || A construção da imagem de uma magia mais densa associou-se à cor negra inicialmente por influência da forma como as cores são interpretadas sob a óptica da Antiga Prática. Enquanto no Cristianismo, à época da expansão do Império Bizantino, o rubro e o negro são referências do submundo e de energias prejudiciais ao estilo de vida adequado conforme a moral cristã, daí a associação de demônios, possessões e excaliares (manifestação dos sete pecados capitais na vida humana), para aos antigos, o rubro se associava à energia sexual e à impulsão do elemento Fogo, força motriz dos movimentos de vontade, predisposição e paixão; enquanto, de fato, a cor negra referencia o ocultismo, ou o que ainda não está desvendado. Ao contrário do que se pensa, é a cor cinza que representa os campos de negatividade e as possíveis deformidades morais.


De acordo com Austin de Croze em seu 'Calendrier Magique' (clique para ver a imagem em melhor definição), a magia, a alquimia e o ocultismo são as chaves que permitem a entrada em certas zonas do Fantástico. Mais que isso, conduzem o chamado 'intelectual fantástico', como era definida a 'gestação' da arte científica antes de se conceber em experiência concreta e, daí, um fato real.

É nessa época que surgiu o primeiro 'Grimório do Mago', um manual com representações e citações sobre bruxas e feiticeiros, em contraposição às veias lógicas da ciência clássica, e sob instrução maior objetivava a difusão das ciências ocultas, ilustrações das oficinas alquímicas, mapeamentos cabalísticos de passagens bíblicas e retratos fantasiosos dos mitos que levariam, mais tarde, à ficção fantástica.

Assim, sugere-se que o sobrenatural religioso reconhece um 'eu' dividido entre as forças transcendentes que combatem a si mesmos em seus planos duais: O diabo e seus asseclas, os Demônios, engajado em uma luta pela a alma com os anjos, os espíritos guardiões. Quando essa expressão se forma, a busca da salvação se faz sublime e possível diante de uma energia maior, possivelmente fantasiosa, que extirpa do homem sua própria capacidade resoluta de defender-se e de realizar suas escolhas, o que no cristianismo se projetou na imagem divina. Em termos de conflito e de terror que antecipa o universo fantástico da ansiedade, um interesse especial se forma: a redenção ou o firmar dos valores humanos associados à Natureza.

 
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