Anam Cara.


Anam Cara é uma expressão celta que significa "Amigo de minha alma" ou "amigo d'alma".

Há duas maneiras de interpreta-la: a) Neste plano fenomênico de manifestação densa, ele é o seu amigo querido, aquela pessoa com a qual você poderá contar em qualquer ocasião, mesmo quando todos tiverem voltado as costas para você, para a qual você pode abrir o coração com confiança. Quando você pensa nela, algo em seu coração brilha mais. Você sabe que ela existe e está no mesmo plano que você. Sabe que ela é valiosa e que, só de ver você, já sabe como você está, pois ela lhe conhece profundamente, além das aparências. Ela sabe sentir você em espírito. b) Em outros planos mais sutis ou etéricos, ele é o amparador, aquela consciência extrafísica que lhe ajuda invisivelmente. Ele é aquele que lhe conhece há muitas vidas. Sabe dos seus dramas e de seus acertos ao longo de suas vidas. Pode até ter participado dos eventos anteriores junto com você, tanto enquanto encarnado quanto além desse signo, mas que, no momento ele está em outra condição vibracional. 


"A vida como um círculo que tem na amizade e no amor os seus pontos principais. A amizade é uma força criadora e subversiva. Curiosa definição essa do irlandês John O'Donohue que, em seu livro Anam Cara — Um livro de sabedoria celta, disseca o tema de forma arrebatadora, ampla, inquietante e, por isso mesmo, interessantíssima. Com intensa poesia, sempre viajando pelos terrenos da filosofia e da espiritualidade, o autor defende que a amizade, tanto quanto o amor, "não deve ser limitada a um relacionamento exclusivo ou sentimental". Anam é a palavra gaélica para alma; e cara, para amigo. Anam Cara é o amigo da alma, uma pessoa a quem se podem revelar as intimidades ocultas da própria vida.

O "amigo da alma", claro, não pode isolar o sentimento da amizade. Para compartilhá-lo, o melhor recurso é a prece, apresentada no livro como "o ato e a presença de enviar a luz da fartura do nosso amor a outras pessoas, para curá-las, libertá-las e abençoá-las". Pois quando existe amor na nossa vida devemos "partilhá-lo espiritualmente com aqueles que foram empurrados para a margem da vida".

Não se trata, entretanto, de um livro sobre amizade. É sobre a vida. Com a sabedoria celta, ensina a sabedoria do bem-viver. Começa falando da amizade ao corpo, que "é o nosso lar de argila, o nosso único lar no universo", e dizendo que "o corpo está na alma", e não o contrário, como supõe o materialismo ocidental. Discorre sobre o trabalho como "a poética do crescimento: um anseio do invisível por se exprimir em nossas ações". A memória é o local onde os nossos dias desaparecidos se reúnem secretamente e reconhecem que um coração apaixonado nunca envelhece. E a morte é a companheira invisível que percorre conosco a estrada da vida, desde o nascimento.

Não é à toa que, segundo Aileen Boyle, do Harper-Collins, Anam Cara tornou-se um best-seller nos Estados Unidos e permaneceu cinco semanas como o nº 1 na Irlanda. A explicação é a atmosfera de encantamento que envolve cada parágrafo. John O'Donohue afirma: "O nascimento do coração humano é um processo contínuo. Ele está nascendo a cada experiência da vida". Nascendo e crescendo."

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