Dente-de-leão.


"Se pensas que eles são
imóveis como as pedras,
estás muito enganado.
Olha um dente-de-leão,
a aterrar de pára-quedas,
acolá naquele prado!"
(Jorge Sousa Braga, em Herbário)

O Dente-de-leão é uma planta nativa do hemisfério norte, aclimatada na América do Sul, sendo espontânea em Portugal. Encontra-se com frequência em lugares úmidos, espaços arrelvados, jardins, campos cultivados, prados, hortas, terrenos baldios, beira de estradas e até entre as pedras das calçadas nas cidades. Também conhecido por Taráxaco, Taraxaco, Coroa-de-monge, Amor-dos-homens, O-teu-pai-é-careca, Serralha, Frango, Quartilho, Bufas-de-lobo, tendo como nome botânico Taraxacum Officinale, e pertence à família das Asteraceae (Compositae).

O seu nome botânico, Taraxacum, deriva do árabe "tarakshaqum", que significa "erva amarga". O nome popular Dente-de-leão parece ter origem no aspecto da planta: as suas folhas são profundamente dentadas e as flores amarelas assemelham-se a uma juba de leão. Quando se formam as sementes, surge uma penugem que voa facilmente com um sopro, expondo algo semelhante a uma cabeça rapada, o que explica a origem de um outro nome popular, Coroa-de-monge.

Se para a planta o fato das sementes serem dispersas facilmente pelo vento facilita a sua disseminação, para as pessoas constitui um motivo para inúmeras tradições, sempre relacionadas com o ato de soprar. O-teu-pai-é-careca, para além de ser um outro nome pelo qual é conhecida, é também um jogo infantil que nos diz se o pai da criança a quem se faz esta pergunta é careca ou não. Consultando-a como um oráculo podemos saber quantos anos faltam para o casamento de alguém, se o casamento vai ser feliz, quantos filhos vai ter, quantos anos vai viver, etc. Consultando-a como um barômetro podemos ainda saber se vai chover. Para tudo isto basta apenas soprar e "interpretar os resultados". Em francês é conhecida pelo curioso nome de Pissenlit que, para quem não sabe, significa literalmente urinar na cama, numa alusão à sua atividade diurética.

Sua utilização medicinal é muito antiga. O uso das folhas, como diurético, é muito anterior ao das raízes, boas para o fígado. Muito elogiado pelos antigos médicos árabes Rhazes e Avicena, nos séculos X e XI, foi também recomendado no herbário da escola de Myddfai, no País de Gales, no século XIII e referido em todos os bons tratados de botânica médica da Idade Média. No século XVI, Bock, importante botânico alemão, considerava-o um diurético; e Tabernaemontanus, médico e naturalista alemão, seu discípulo, considerava-o um vulnerário. Posteriormente o seu prestígio como erva medicinal parece ter decaído, mas no início do século XX o reconhecimento das suas propriedades medicinais foi tal que qualquer tratamento em que era utilizado se chamava taraxoterapia.

O Dente-de-leão é também usado como alimento. As folhas tenras, colhidas na Primavera, são muito nutritivas e boas para saladas. Com elas pode-se fazer sopa e, depois de cozidas e misturadas como purê, servem de acompanhamento. Os botões florais também são comestíveis e podem ser cozinhados como a Alcaparra. As raízes de plantas com 2 ou 3 anos, secas, moídas e tostadas são utilizadas em substituição do café - à semelhança da Chicória, beneficiando o fígado e a vesícula, aumentando a vitalidade e melhorando a concentração mental. As flores são usadas para fazer vinho e bebidas alcoólicas fortes, se encontrando na lista de aromatizantes naturais no Conselho Europeu.