Católica Apostólica Romana: O outro lado da Instituição.


O patriarca de Constantinopla, atual Istambul, considerava-se tão importante quanto seu colega italiano. E ainda havia discordâncias em certos aspectos da liturgia romana, como o celibato e a missa em latim. A rixa explodiu em 1054, quando o papa Leão 9º e o patriarca Cerulário excomungaram um ao outro e romperam relações. Os orientais formaram a Igreja Ortodoxa, enquanto a Igreja Romana se declarou a única, eterna e católica, - do grego katholikos, “universal”. (BOTELHO, 2007).  

O Cristianismo conta com aproximadamente 2 bilhões de adeptos no mundo, sendo que desse total 1,1 bilhão são católicos, o que determina hoje que a religião cristã é a maior do mundo em número de seguidores. No entanto, sabe-se que o Cristianismo ramifica-se em diversas denominações (Catolicismo, Ortodoxismo e Protestantismo), cuja divisão é decorrente do modo diferenciado que os povos e culturas têm de interpretar as Sagradas Escrituras.

Certamente, criar essas divergências não foi a intenção de Jesus, cujos ensinamentos transmitidos para o povo de seu tempo parece intender ser dogmas religiosos ou no mínimo pensamentos e reflexões filosóficas para que as pessoas pudessem se autoanalisar e encontrar dentro de si uma alternativa de vida que fosse mais altruísta. Mas de que forma pode-se definir este homem que dividiu a História: líder persuasivo? O messias tão aguardado pelos semitas? Um grande filósofo? Um fanático religioso? Um oportunista? Ou apenas como um ser humano que soube enxergar no mundo a plenitude da vida e da natureza e apropriar-se disso? A resposta é bem relativa à crença de cada um, no entanto, analisando-se alguns de seus sermões, fica evidente que Cristo sabia fazer bom uso da sua mente e da oratória, combatendo tudo aquilo que pudesse desvirtuar a paz do ser humano, seja interna ou externa.

Para os cristãos de modo geral, seu líder, Jesus Cristo, foi a personificação de Deus na Terra. Especificamente para os católicos, Cristo criou a religião Católica ao indicar Pedro como seu sucessor. Mas com base em quê os católicos admitem que o Catolicismo seja a verdadeira religião cristã? Em 2007 o Vaticano publicou um documento bastante prepotente no qual afirmou que a Igreja de Roma realmente é, sempre foi e sempre vai ser a única de Cristo, no qual citava: "Cristo constituiu sobre a terra uma única Igreja e instituiu-a como grupo visível e comunidade espiritual, que desde a sua origem e no curso da história sempre existe e existirá. [...] Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste na Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele." (VATICANO, 2010)

Conforme Botelho, “o cristianismo era uma seita de judeus para judeus. [...] A ideia de que Jesus era o tão aguardado Messias, porém, não pegou entre todos os judeus”. Esse fato explica a dispersão dos apóstolos para outras regiões do mundo até que se chegasse a Roma, o centro administrativo do então inabalável Império. Embora muitos especialistas contestem, “a tradição católica assegura que Pedro viajou a Roma por volta do ano 42”, diz Botelho, que complementa: "Os cristãos eram perseguidos por se recusar a adorar os deuses romanos. O próprio Pedro foi preso e levado ao Circo de Nero, uma arena usada para corridas de carruagens e execuções de traidores construída num terreno pantanoso nos subúrbios de Roma. A região era conhecida como Vaticanus, provável derivação de Vaticus, antiga aldeia etrusca que existia lá. Nesse lugar misterioso e algo sinistro, Pedro foi crucificado e enterrado."   

Pedro, assim como o apóstolo Paulo, foi morto por ser cristão, mas ainda assim o Cristianismo não morreu junto com eles, pois muitas pessoas já tinham ouvido a mensagem de Cristo. Os grandes líderes da Igreja Católica afirmam que a Basílica de São Pedro, em Roma, foi construída sobre a sepultura do fiel discípulo de Jesus, porém, há os que contestam. “Havia cemitérios no Vaticano muito antes de Cristo. O túmulo na basílica talvez nem seja cristão – os romanos pagãos costumavam usar símbolos de todas as religiões”, cita Botelho, que sugere também dúvidas a respeito da liderança absoluta de Pedro, pois segundo ele o Cristianismo antigo não tinha hierarquia rígida, o que só teria acontecido quando Constantino se converteu. Além do mais, os imperadores passaram a fazer doações, o que foi enriquecendo a instituição e então se criou o celibato para impedir que a fortuna fosse dividida entre herdeiros, além de que, de certo, o poder logo subiu à cabeça dos bispos romanos, que no fim do século IV adotaram o título de "papa" (“pai”, em grego), sinal de que se consideravam chefes dos demais. 

Sabe-se que o papa representa a autoridade máxima dentro do clero e da doutrina católica, e que abaixo dele existem demais cargos, perfazendo-se assim uma extensa hierarquia eclesiástica. Quando um papa morre, outro deve ser escolhido para assumir o seu posto. Quem então ocupou o lugar de Pedro se não existia hierarquia nos primórdios do cristianismo? Segundo Botelho, Pedro, precavido, já havia escolhido um sucessor, Lino, romano convertido ao cristianismo sobre o qual quase nada se sabe além do nome. Parece contraditório, mas Pedro já tinha um sucessor. E assim a autoridade de Pedro foi transmitida, como continuaria sendo de geração em geração e de bispo em bispo, até chegar a Francisco, o 268º herdeiro de São Pedro – ou 266º, como prefere a Igreja, que riscou de sua lista Estêvão, que morreu apenas 3 dias após ser eleito, e Cristóvão, que tomou o poder à força.

No decorrer de sua história, a Igreja Católica foi conquistando autoridade, respeito, terras e fiéis, tendo seu auge durante a Idade Média. Porém, todo este poder é questionável, pois nem sempre foi adquirido somente pela expansão da fé, mas muitas vezes através de fraudes e do uso da força, como a polêmica que envolveu papas medievais e o nome do imperador romano Constantino, que veio à tona no final da Idade Média e atende pelo título de “Doação de Constantino”, a respeito da qual se sabe que o imperador foi milagrosamente curado da lepra graças às preces do papa Silvestre, e que em troca transformou os papas em seus herdeiros legais, o que obviamente levou os papas a engrandecer sua autoridade enquanto chefes religiosos e até mesmo como líderes políticos diante dos povos bárbaros que invadiram e puseram fim ao Império e sobre os demais membros já pertencentes a ele.

Muitos historiadores acreditam que a fraude foi usada pela primeira vez em 754 (Constantino havia morrido em 337). Nesse ano, Estêvão 2º viajou para encontrar Pepino, rei dos francos. Estêvão procurava ajuda para transformar Roma e as terras vizinhas em território da Igreja. Pepino, que havia tomado o trono à força, tentava legitimar seu poder. “A Doação foi apresentada pessoalmente por Estêvão a Pepino. O rei franco aceitou o documento como prova de autoridade dos papas”, afirma o historiador Norman Cantor. Depois de ter a coroa consagrada por Estêvão, Pepino partiu para a Itália, expulsando os lombardos, que dominavam o país na época, e convertendo um pedaço da Itália central em território independente, da Igreja, indicando que o coração do novo reino era a cidade de Roma e a área vizinha, que hoje forma o Vaticano. Todos os habitantes dessas regiões viraram súditos dos papas, passando a lhes pagar impostos, a ser julgados e governados por eles. Assim nasceu o Estado Pontifício, que durou até 1870.

Contudo, o peso desse documento acabou sendo desmascarado no século XV, quando o estudioso Lorenzo Valla apresentou uma série de documentos que comprovaria a falsidade do tempo em que o documento da doação teria sido feita, sendo destacados erros linguísticos, históricos e geográficos que possibilitaram desvendar a fraude.

O papado - A origem


Como se vê, o sistema Católico Apostólico Romano começou a tomar forma quando o Imperador Constantino, convertido ao Cristianismo, presidiu o l.o Concílio das Igrejas no ano 313. No Século IV construíram a primeira basílica em Roma.

As Igrejas eram livres, mas começaram a perder autonomia com Inocêncio I, em 402 afirmando que "Governante das Igrejas de Deus exigia que todas as controvérsias fossem levadas a ele", até que Leão I, em 440, deliberou o aumento de sua autoridade. O poder dos pretensos papas cresceu ainda mais quando o Imperador Romano Valentiniano III, em 445, bajulado, reconheceu oficialmente a pretensão do papa de exercer autoridade sobre as Igrejas. O papado surgiu das ruinas do Império Romano desintegrado no ano 476, herdando dele o autoritarismo e o latim como língua, embora o primeiro papa, formalizado oficialmente, tenha sido Gregório, em 600.

Vale destacar que a palavra "papa", até o ano 500, era utilizado por todos os bispos ocidentais, até que foi restringido aos bispos de Roma, que valorizados, entenderam que a Capital do império desfeito deveria ser Sede da Igreja. Nicolau l, já em 858, foi o primeiro papa a usar coroa. Usou um Documento Conciliar (falso) dos Séculos 2 e 3 que exaltava o poder do papa e impôs autoridade plena; farsa descoberta muito após a morte do mesmo.

O Vaticano projetou-se quando recebeu de Pepino, o Breve, em 756, vastos territórios; doação foi confirmada pôr Carlos Magno, enquanto Adriano I ocupava o trono papal, elevando o papado a posição de poder mundial, surgindo o "Santo Império Romano" que durou 1.100 anos. Mais tarde, Carlos Magno arrependeu-se pôr doar as terras, o que gerou a mítica de que em seu leito de morte sofrera "horríveis pesadelos"; e, enquanto agonizava, lamentava-se perguntando como se justificaria a Deus pelas guerras que de certo ocorreriam na Itália por conta da ambição dos papas e não menos dos líderes "homens".

É certo que o Vaticano derramou muito sangue, até ser invadido pôr Napoleão Bonaparte, em 1806, quando o papa foi preso e perdeu suas terras, tentando reagir mais tarde, sendo derrotado novamente por Vítor Emanuelli, em 1870, tornando-se o primeiro Rei da Itália. Até 1929 os papas ficaram confinados no Vaticano, quando Mussoline e Pio XI legalizaram, com o Tratado de Latrão, o Estado do Vaticano.

Os Papas Polêmicos

  • João XII: Supostamente bissexual, obrigava jovens a fazer sexo em público. Teria organizado um bordel e cometido incesto com a meia-irmã de 14 anos. Raptava peregrinas no caminho para lugares sagrados e ordenou um bispo num estábulo. Quando um cardeal o recriminou, mandou-o castrar. Um grupo de prelados italianos, alemães e franceses julgaram-no por sodomia com a própria mãe e por ter um pacto com o diabo para ser seu representante na Terra. Foi considerado culpado de incesto e adultério e deposto do cargo, em 964. Foi assassinado – esfaqueado e à martelada – em pleno ato sexual pelo marido de uma das suas várias amantes.
  • Xisto III: Obcecado por mulheres mais novas, foi acusado de violar uma freira numa visita a um convento próximo de Roma. Enquanto orava na capela, o papa, eleito em 432, pediu assistência a duas noviças. Violou uma, mas a segunda escapou e o denunciou. Em tribunal, Xisto III defendeu-se recordando a história bíblica da mulher que foi apanhada em adultério. Perante isso, os altos membros eclesiásticos reunidos para condenar o papa-violador não se atreveram a “atirar a primeira pedra” e o assunto foi encerrado. Xisto III foi, aliás, canonizado depois de morrer. Seguiu-se-lhe Leão I, que também gostava de mulheres mais novas e que mandou encarcerar uma adolescente num convento, depois de a engravidar.
  • Clemente VI: Em 1342, com Clemente VI, chega também à Igreja Joana de Nápoles, sua amante favorita. O papa comprou um “bordel respeitável” só para os membros da cúria – um negócio, segundo os documentos da época, feito “por bem de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Tornou-se cafetão das prostitutas de Avinhão (a quem cobrava um imposto especial) e teve a ideia de conceder, duas vezes por semana, audiências exclusivamente a mulheres. Recebia as amantes numa sala a poucos metros dos espaços em que os verdugos da Inquisição faziam o seu trabalho. No seu funeral, em Avinhão, foi distribuído um panfleto em que o diabo em pessoa agradecia ao papa Clemente VI porque, com o seu mau exemplo, “povoara o inferno de almas”.
  • Bento IX: Bissexual, sodomizava animais e foi acusado de feitiçaria e satanismo. Supostamente invocava espíritos malignos e sacrificava virgens. Tinha um harém e praticava sexo com a irmã de 15 anos. Gostava, aliás, de a ver na cama com outros homens (“Gostava de a observar quando praticava sexo com até nove companheiros, enquanto abençoava a união”, descreve Eric Frattini). Convidava nobres, soldados e vagabundos para orgias. Dante Alighieri considerou que o pontificado de Bento IX foi a época em que o papado atingiu o nível mais baixo de degradação. Bento IX cansou-se de tanta missa e renunciou ao cargo para casar com uma prima – que o abandonaria mais tarde.
  • Alexandre VI: Gostava de orgias, supostamente tendo obrigado um jovem de 15 anos a fazer sexo com ele sete vezes no mesmo dia. Teve vários filhos, que nomeou cardeais. Assim que chegou ao papado, em 1431, trocou a amante por uma mais nova, Giulia. Ela tinha 15 anos, ele 58. Foi Alexandre VI quem criou a célebre “Competição das Rameiras”. No concurso, o papa oferecia um prêmio em moedas de ouro ao participante que conseguisse ter o maior número de relações sexuais com prostitutas numa só noite. Depois de morrer, o Vaticano ordenou que o nome de Alexandre VI fosse banido da história da Igreja e os seus aposentos no Vaticano foram selados até meados do século XIX.
  • Leão X: Foi de maca para a própria coroação, por causa dos seus excessos sexuais. Depois de Júlio II ter morrido de sífilis, em 1513, assume Leão X, que gostava de organizar bailes, onde os convidados eram somente cardeais e onde jovens de ambos os sexos apareciam com a cara coberta e o corpo despido. O papa gostava de rapazes novos, às vezes vestia-se de mulher e adorava álcool. “Quando foi eleito tinha dificuldade em sentar-se no trono, devido às graves úlceras anais de que sofria, após longos anos de sodomia”, escreve Frattini. Estes e outros excessos levaram Lutero a afixar as suas 95 teses – que lhe garantiram a excomunhão em 1521. Leão X morreu com sífilis aos 46 anos.
  • Inocêncio X: Eleito no conclave de 1644, Inocêncio X manteve uma relação com Olímpia Maidalchini, viúva do seu irmão mais velho – fato que lhe rendeu o escárnio das cortes da Europa. Inocêncio X não era, aliás, grande defensor do celibato. Olímpia exercia grande influência na Santa Sé e chegou a assinar decretos papais. A dada altura, o papa apaixonou-se por outra nobre, Cornélia, o que enfureceu Olímpia. Mesmo assim, foi a cunhada quem lhe valeu na hora da morte e quem assegurou o funcionamento do Vaticano quando Inocêncio estava moribundo. Quando morreu, em 1655, Olímpia levou tudo o que pôde da Santa Sé para o seu palácio em Roma, com medo de que o novo papa não a deixasse ficar com nada.
  • Paulo VI: Assim que chegou ao Vaticano, Paulo VI mostrou-se muito conservador em relação às matérias ligadas à sexualidade. Em 1976, indignado com as declarações de homofobias de Paulo VI, um historiador e diplomata francês, Roger Peyrefitte, contou ao mundo que, afinal, o papa era homossexual e manteve uma relação com um ator conhecido. O escândalo foi tremendo: Paulo VI negou e o Vaticano chegou a pedir orações ao fiéis do mundo inteiro pelas injúrias proferidas contra o papa. Paulo VI morreu em 1978, aos 81 anos, depois de 15 anos de pontificado, vítima de um edema pulmonar causado, em boa parte parte, pelos dois maços de cigarros que fumava por dia.

A Papisa Joana

A lenda da Papisa Joana é, das histórias que cercam o Vaticano, uma das que mais intriga historiadores. O problema e argumento principal para quem defende que é uma lenda é a falta de registos sobre a Papisa em documentos da época. No entanto, os defensores de que se trata de uma história verdadeira consideram que o poder da Igreja naquela altura explica a falta de registos sobre a Papisa, uma vez que o Vaticano nunca iria permitir a divulgação de documentos que confirmassem a ascensão de uma mulher ao trono de São Pedro.

A história original relata que tudo começou no final do Século IX, mas renomados historiadores afirmam que Joana foi Papisa na época de uma das crises da Diocese de Roma, entre o ano 850 e 1.100. No livro A Papisa, da romancista norte-americana Donna Woolfolk Cross, a Papisa teria nascido em Constantinopla e fez-se passar por homem para fugir das perseguições impostas pela própria igreja em relação ao acesso à educação pelas mulheres. O romance ainda descreve uma mulher extremamente culta com um elevado grau de entendimento em filosofia e teologia, que teria ido para Roma, se passando por monge e convencendo os demais membros da igreja com a sua sabedoria.

Com a morte de Leão IV, assumiu o Trono de Pedro com o nome de Leão VII. Teria sido descoberta quando acometida pelas dores do parto, dando luz em plena procissão a uma criança fruto de um caso com um dos guardas. A população teria reagido com sua indignação, apedrejando-a. Há ainda quem defenda que o mito pode ter surgido em Constantinopla, devido ao ódio da Igreja Ortodoxa à Igreja Católica ou que, no século XIII, o papado tinha um grande número de inimigos, especialmente entre a Ordem dos Franciscanos ou a dos Dominicanos, que descontentes com as diversas restrições a que eram submetidas, teriam espalhado o boato. Em ambos os casos o objetivo seria desmoralizar a igreja através do boato que esta seria dirigida por uma mulher e desmoralizando-a devido à intensa misoginia característica da Igreja medieval.

Verdade ou mito, não podemos deixar de notar a preocupação da Igreja Católica em negar a existência desta mulher enquanto papisa. Uma das mais interessantes façanhas da vivência de Joana é um decreto publicado pela corte de Roma, proibindo que se colocasse Joana no catálogo dos papas, decreto que ainda hoje está em vigor. A história em torno da Papisa Joana é um exemplo ilustrativo do papel das mulheres na Igreja Católica, e que atravessa séculos de misoginia e descriminação no acesso aos cargos da organização.

Mas o calvário das mulheres na igreja começa muito antes desta lenda. Começa quando as ordens eclesiásticas defenderam que a mulher era filha e herdeira de Eva, a fonte do pecado original e instrumento do Diabo, mostrando-a como inferior, e desprovida de inteligência, deixando-se enganar por uma serpente e enganando Adão, fazendo-o perder o paraíso, e seduzindo-o. Esta visão passou a fazer parte dos artigos teológicos da época, sem a mínima contestação, passando-se a ver na mulher um carácter maléfico e promíscuo, que precisava de ser disciplinado. Surge então a Lei Canônica, que permitia que a mulher fosse agredida e espancada em qualquer classe social. Foi proibido à mulher ocupar ou desempenhar cargos públicos e a Lei Secular determinava que as mulheres eram "frívolas por natureza, ardilosas, perspicazes, apegadas ao material (avarentas) e de pouquíssima ou quase nenhuma inteligência". A Lei eclesiástica, de forma abrangente, mas não menos diminutiva, deixava claro o motivo, a razão e circunstância pelas quais as mulheres não podiam ocupar cargos públicos: "as mulheres não foram feitas para esse tipo de serviço, mais sim, para as ocupações femininas e domésticas".

Assim sendo, o casamento era o destino, que acontecia com ou sem amor, acordados entre as famílias sem que elas tivessem uma palavra a dizer, apenas teriam obrigação de serem companheiras, fieis, amigas, excelentes donas de casa e mães. O drama sofrido pelas mulheres prolongou-se até finais do séc. XVIII e início do séc. XX, quando de forma mínima, as mulheres passaram a reivindicar os seus direitos em busca da emancipação feminina. No entanto, a igreja permanece fechada á emancipação feminina e á alteração do papel das mulheres no seio da igreja.

1.650 anos de Igreja


1. Orações pelos mortos começaram em cerca de 300 d.C.
2. Prática do sinal da cruz, a partir de 300.
3. Utilização de velas de cera, a partir de 320.
4. Primeiro decreto dominical, promulgado pelo imperador romano Constantino, em 7/3/32 1.
5. Mudança do sábado para o domingo, como dia de repouso, efetuada pelo Concilio de Laodicéia — 364.
6. Veneração dos anjos e de santos, e utilização de imagens — em 370.
7. Começo da exaltação de Maria e uso da expressão Mãe de Deus, a partir do Concilio de Éfeso — 431.
8. Sacerdotes começaram a se vestir de forma distinta dos leigos — em 500.
9. Prática da extrema-unção — 526.
10. Estabelecimento da doutrina do purgatório, por Gregório 1 — em 593.
11. Orações dirigidas a Maria, santos mortos e anjos — em 600.
12, Título de Papa ou Bispo Universal, dado a Bonifácio III, pelo imperador Focas— em 607.
13. Prática de beijar o pé do papa teve início com o papa Constantino em 709.
14. Autorizado o culto à cruz, imagens e relíquias — em 786.
15. Água benta com um pouco de sal e abençoada por um sacerdote—em 850.
16. Primeira canonização de santos mortos, feita pelo papa João XV — em gg
17. Jejum às sextas-feiras, durante a Quaresma — em 998.
18. Celibato sacerdotal decretado por Gregório VIII (Rildebrando) — em 1079.
19. Inquisição, instituída pelo Concilio de Verona — em 1184.
20. Venda de indulgências — em 1190.
21. Transubstanciação, proclamada pelo papa Inocêncio III — em 1215.
22. Confissão auricular de pecados, ao sacerdote em lugar de Deus, instituída por Inocêncio, no Concílio de Latrão — em 1215.
23. Proibido acesso dos leigos á Bíblia, incluída no índice de livros proibidos pelo Concilio de Valença — em 1229.
24. Dogma do purgatório, proclamado pelo Concílio de Florença — em 1439.
25. Confirmação da doutrina dos Sete Sacramentos — em 1439.
26. Ave Maria (parte da última metade foi acrescentada 50 anos depois, e aprovada pelo papa Sixto V no final do século 16) — em 1508.
27. Tradição, declarada, pelo Concílio de Trento, como autoridade igual à da Biblia - em 1545.
28. Livros apócrifos foram acrescentados à Bíblia, pelo Concílio de Trento — em 1546.
29. Proclamada a Imaculada Conceição da Virgem Maria, pelo papa Pio IX — em 1854.
30. Silabo de erros, proclamado pelo papa Pio IX e ratificado pelo Concilio Vaticano, condenando a liberdade de culto, de consciência, de pregação, de imprensa e os descobrimentos científicos que são desaprovados pela Igreja Católica Romana, sustentando a autoridade temporal do papa sobre todos os governantes civis - em 1864.
31. Proclamada, pelo Concilio Vaticano, a infalibilidade papal em matéria de fé e de moral — em 1870.
32. Assunção da Virgem Maria (ascensão corporal ao Céu, pouco depois de sua morte), proclamada por Pio XII — em 1950.
33. Proclamação de Maria como mãe da Igreja, pelo papa Paulo VI — em 1965.

A Inquisição da Santa Fé


Durante a atuação da Santa Inquisição em toda a Idade Média, a tortura era um recurso utilizado para extrair confissões dos acusados de pequenos delitos, até crimes mais graves. Diversos métodos de tortura foram desenvolvidos ao longo dos anos. Os métodos de tortura mais agressivos eram reservados àqueles que provavelmente seriam condenados à morte.

Além de aparelhos mais sofisticados e de alto custo, utilizava-se também instrumentos simples como tesouras, alicates, garras metálicas que destroçavam seios e mutilavam órgãos genitais, chicotes, instrumentos de carpintaria adaptados, ou apenas barras de ferro aque- cidas. Há ainda, instrumentos usados para simples imobilização da vítima. No caso específico da Santa Inquisição, os acusados eram, geralmente, torturados até que admitissem ligações com Satã e práticas obscenas. Se um acusado denunciasse outras pessoas, poderia ter uma execução menos cruel.

Além de aparelhos mais sofisticados e de alto custo, utilizava-se também instrumentos simples como tesouras, alicates, garras metálicas que destroçavam seios e mutilavam órgãos genitais, chicotes, instrumentos de carpintaria adaptados, ou apenas barras de ferro aquecidas. Há ainda, instrumentos usados para simples imobilização da vítima. No caso específico da Santa Inquisição, os acusados eram, geralmente, torturados até que admitissem ligações com Satã e práticas obscenas. Se um acusado denunciasse outras pessoas, poderia ter uma execução menos cruel.

Os inquisidores utilizavam-se de diversos recursos para extrair confissões ou "comprovar" que o acusado era feiticeiro. Segundo registros, as vítimas mulheres eram totalmente depiladas pelos tortura- dores que procuravam um suposto sinal de Satã, que podia ser uma verruga, uma mancha na pele ou mamilos excessivamente enrugados (neste caso, os mamilos representariam a prova de que a bruxa "amamentava" os demônios). Mas este sinal poderia ser invisível aos olhos dos torturadores. Neste caso, o "sinal" seria uma parte insensível do corpo, ou uma parte que se ferida, não verteria sangue. Assim, os torturadores espetavam todo o corpo da vítima usando pregos e lâminas, à procura do suposto sinal.

No Liber Sententiarum Inquisitionis (Livro das Sentenças da Inquisição) o padre dominicano Bernardo Guy (Bernardus Guidonis, 1261-1331) descreveu vários métodos para obter confissões dos acusados, inclusive o enfraquecimento das forças físicas do prisioneiro. Dentre os descritos na obra e utilizados comumente, encontra-se tortura física através de aparelhos, como a Virgem de Ferro e a Roda do Despedaçamento; através de humilhação pública, como as Máscaras do Escárnio, além de torturas psicológicas como obrigar a vítima a ingerir urina e excrementos. 

De uma forma geral, as execuções eram realizadas em praças públicas e tornava-se um evento onde nobres e plebeus deliciavam-se com a súplica das torturas e, conseqüentemente, a execução das vítimas. Atualmente, há dispostos em diversos museus do mundo, ferramentas e aparelhos utilizados para a tortura na época.




Fontes de Pesquisa:
























Outras Fontes de leitura:

A História Secreta do Cristianismo - Revista Superinteressante (aqui)
Vaticano, Uma Biografia Não Autorizada - Revista Superinteressante (aqui)
Download do Dicionário da Idade Média, de H. R. Loyn - em .pdf (aqui)
A Caça às Bruxas - Blog I'm Used To It By Now (aqui)
Sob o Martelo... - Blog I'm Used To It By Now (aqui)
Idade das Trevas - Blog I'm Used To It By Now (aqui)
Cristianismo - De Perseguido a Oficial  - Blog I'm Used To It By Now (aqui)
O que é Paganismo? - Blog I'm Used To It By Now (aqui)
Inquisição - Métodos de Torturas I e Ii - Blog I'm Used To It By Now (aqui e aqui)