Bruxa: Etimologia.

                    Afresco pré-cristão de uma alma ou psiquê da Casa dos Vettii, na "Vila da Mysteria" (em Pompeia),
                    voando com um grande Báculo ou Bastão Priápico.

As palavras “bruxa” e principalmente “bruxaria” não estão presentes em todas as línguas, no entanto, a maior parte das línguas europeias conhecidas ou das línguas de origem europeia utilizam-se de um termo comumente presente no vocábulo do dialeto ou língua para referir-se às mulheres "sábias" que foram negativamente estereotipada como “que se entregam de corpo e alma à adoração do Demônio ou Chifrudo e da Senhora das Fadas e do Jogo, que fazem pacto com o Diabo e participam da celebração noturna do Sabá bruxesco”, disseminada com maior ênfase pelas lendas populares e folclores europeus e eurodescendentes, decorrentes de um período anterior ao Cristianismo entrar em cena na Europa e mais precisamente das perseguições aos hereges e adeptos de religiões pagãs na idade média.

Existem diversos termos nas línguas e dialetos europeus que são exônimos para “bruxa” em cada região geográfica. Porém, existem determinados termos que são graficamente repetentes ou variantes em demais línguas e dialetos, o que torna possível pressupor a existência arcaica de certas etimologias-raízes desses termos e com uma origem comum. Neste sentido, realizando um compêndio dos termos aplicados como traduções em cada língua ou dialeto, facilita o entendimento do significado atribuído primordialmente à palavra “bruxa”, indicando diversas similaridades - assim como também algumas diferenças - no próprio Português Antigo eu em dialetos regionais do Galego, pois sabe-se que utilizava-se também as palavras “brucha” e “bricta” nos tempos medievais, da mesma forma como em determinadas regiões bascas e espanholas, que as etimologias presentes eram “breiches”, “brouches”, “bruca”, “bruxons” e “bruixes”, tais como ainda são frequentes em algumas dessas regiões citadas. 

Entretanto, se realizarmos uma investigação ainda empírica, referindo-nos a tempos remotos da antiguidade e da idade média, notaremos que nas antigas liturgias dos Clãs da Bruxaria, esta era designada por metáforas como “Arte”, “Arte Sacerdotal e Real”, “Arte dos Sábios” ou simplesmente “Mistérios”. Deve-se considerar, também, que a Bruxaria sempre deu liberdade para adaptação conforme os fluxos da natureza local para, como religião de segredos da natureza, encorajar o homem a sentir a energia sutil da vida, ao invés de realizar os ritos de maneira mecânica rumo ao atrofiamento das habilidades latentes.

A origem do termo “bruxa” no português, assim como suas variantes no espanhol, no catalão, no ocitano, no galês e no romeno, desenvolveu-se na antiguidade tardia na língua galo-romana, a partir de uma etimologia, "brixta" e "brictom", com o significado de 'encantadora' e 'encantamento ou encantos', proveniente das palavras galo-romana "brixia" ou "vrixia" e grega "vryki" ou "bryx" ou "bryce" — para referir-se à um membro da "Tribo de Danaans" ou "Tuatha-Dè-Danann", o Povo das Fadas —, enquanto exônimo às mulheres, designadas na língua francesa por "uidluias", que 'conheciam os Mistérios', isto é, as sacerdotisas iniciadas na Arte dos Sábios ou "Mysteria", magas presentes em todo o mundo greco-romano e na Inglaterra, França, Alemanha e Península Ibérica, as quais, mais tarde, viriam a ser acusadas de lançar feitiços ou pestilências para arruinar as colheitas ou plantações e transformarem-se de forma para voos noturnos ao extasiante Sabá bruxesco, em uma conspiração "diabólica" contra a Igreja. 

Entretanto, em termos semânticos, em cada língua ou dileto europeu pelos quais a palavra “bruxa” se traduz há determinada quantidade aparente de etimologias repetentes. Isso indica que possivelmente houve a presença de algumas etimologias-raízes que sub-desenvolveram-se variantes, provavelmente de acordo com as mudanças de grafia e de sotaque, específicos de cada língua e de cada dileto em uso. Assim, considerando as implicações citadas referentes ao termo “bruxa”, em suas diversas línguas e dialetos, é interessante observar alguns dos subgrupos de palavras utilizadas à  “bruxaria” e à “bruxa” e o seu significado etimológico. Ainda assim, tomando como base a tabela abaixo, é importante atentar que quando houverem duas palavras relacionadas ao significado etimológico em um mesmo quadro da tabela, após o sinal de igual (“=”) os significados de cada palavra estão divididos pelo ponto e vírgula (“;”). As palavras em uso para “bruxaria” e para “bruxa” foram classificadas, primeiramente à prática e, em segundo, ao praticante.


Percebe-se que os termos de tradução para a palavra “bruxaria” em cada língua ou dialeto possui, evidentemente, várias origens etimológicas. Porém, nota-se que, a partir da repetência de termos iguais ou semelhantes utilizados para tradução da palavra “bruxaria” em cada língua ou dialeto, aparentam-se haver algumas etimologias de origem comum para esses termos empregados. Com isso, para explicitar tal fator destacado, buscou-se agrupar em itens, a seguir, cada termo empregado para as palavras “bruxaria” e “bruxa”, as etimologias-raízes encontradas e o significado etimológico atribuído:

·  Línguas portuguesa, espanhola, galesa, ocitana, romena e catalã: etimologia-raiz galo romana, “Brixta” e “Brictom” = encantadora e encantamento ou encantos;

·  Línguas eslovaco, esloveno, bósnio, croata, russo, tcheco, sérvio e bielo-russo: etimologia-raiz europeia,“Kraljevi” e “Kralijce” = rainha, condessa ou matrona;

·  Línguas dinamarquês, norueguês, alemão, holandês e africâner: etimologia-raiz inglesa, germânica, árabe e greco-egípcia, “Haegtsse”,“Hagzissa”, “Hakeen”, e “Hike” e "Heka” = bruxa, ser furioso; bruxa; sábio, mago; ritos mágicos, cerimonias mágicas;

·  Língua islandesa: etimologia-raiz nórdica, “Norn” = donzela, senhora, ninfa, fada, três mulher-fadas que determinavam, conforme os mitos antigos, o destino dos homens e dos deuses que, entre os greco-romanos antigos, chamavam-se ‘fadas’ ou ‘moiras’;

·  Línguas estoniano e finlandês: etimologia-raiz grega, “Naiades” e “Noitides” = fadas e/ou ninfas das águas, rios e fontes, as quais, conforme os mitos antigos, inclui-se iniciadas bacantes;

·  Línguas esperanto, francês, franco-inglês, basco, georgiano, hmong, javanês, khmer, laosiano e maltês: etimologia-raiz grega, “Sideros” = metalurgia, prática de ferreiro ou alquimia;

·  Línguas italiano, sueco, albanês, grego antigo e romeno: etimologia-raiz latina,  greco-romana e grega, “Striga”, “Strix” e “Storge” = coruja, pássaro de hábitos noturnos ou que viaja à noite, um ser furioso; amor ou amante;

·  Línguas letão e lituânio: etimologia-raiz latina, “Regina” = rainha, madame, líder real feminino;

·  Língua húngara: etimologia-raiz húngara, “Baszni” = depravação, foda, sexo, libertinagem;

·  Língua hindi: etimologia-raiz romena, “Dziana” e “Doamna” = fada, ninfa, nereida, náiade;

·  Língua polonesa: etimologia-raiz búlgara e latina, “Czar” e “Caesar” = monarca; cabeludo, cabeça, comandante;

·  Língua turca: etimologia-raiz árabe, “Qadi” e “Qedesa” = conselheiro real, julgador, conde; concubina sagrada ou prostituta do Templo da Mystíria, conjunto de clãs de culto aos mistérios da natureza;

·  Línguas sérvio, búlgaro, macedônico, croata e greco-arábico: etimologia-raiz búlgara, “Beщ” = saber, conhecer, habilidade, engenho, coisa;

·  Línguas bielo-russo, russo, francês antigo, cazaque e ucraniano: etimologia-raiz russa, “Ved'ma” = sábia, conhecedora;

·  Línguas irlandês, inglês, cebuano, georgiano, hmong, javanês, khmer, laosiano, marathi, inglês antigo, islandês e maltês: etimologia-raiz inglesa e germânica, “Wicche”,  “Wiccan” *,  “Vitki” e “Wit-” = bruxas; bruxos; mago; saber, conhecer, moldar;

·  Línguas hindi, malaio, maltês, cebuano, inglês, dinamarquês: etimologia-raiz árabe, “Vizir” = conselheiro real, monarca, sacerdote;

·  Língua cazaque: etimologia-raiz grega, “Mystikos” e “Mystai” = místico ou iniciado na Mystíria, conjunto de clãs de culto dos mistérios da natureza, cujas práticas religiosas compreendem magia e adoração aos antigos deuses pagãos.

Nas línguas yiddish, vietnamita, telugo, tâmil, tailandesa, tagala, suaíle, canaresa, gujarate, coreana, chinesa, japonesa, indonésia, haitiana, bengali e azerbaidjana não existiram, originalmente, termos linguísticos para as palavras “bruxa” e “bruxaria”. Devemos considerar que estas línguas estão majoritariamente localizadas em contextos distantes dos territórios tradicionalmente demarcados por Temenos ou Covendom, local pelo qual esteve sob domínio de um Clã de Bruxas e onde este domínio sociopolítico bruxesco trouxe, em consequência, influências no desenvolvimento da cultura nacional ou regional. 

O Temenos ou Covendom compreende a demarcação geográfico-territorial de um espaço sagrado de Três Milhas de diâmetro (diferentemente dos cálculos reduzidos de Gerald Brosseau Gardner) a cada conventículo, o qual é ligado por "cordão umbilical" ao seu conventículo-mãe e possui total compromisso com o Clã que faz parte, na velha Bruxaria. Deste modo, as etimologias-raízes evidenciadas acima foram destacadas apenas àqueles termos linguísticos que, significativamente, estiveram em uso em regiões e localidades que possuíam Temenos ou Covendom de Bruxas. Neste sentido, diversas outras línguas apresentam também em uso alguns dos termos que possuem as mesmas etimologias-raízes citadas acima, porém, destaca-se que era irrelevante e desnecessário citá-los juntos. 

Observando as origens da palavra “bruxa” (e “bruxaria”) em cada língua e dialeto descritos acima, pode-se notar determinada similitude nos significados semânticos entre os significados semânticos da etimologia-raiz “Striga” e “Strix”, do latim e da língua greco-romana, denotando ‘uma coruja, pássaro de hábitos noturnos ou que viaja à noite, ou um ser furioso’ e ‘amor ou amante’. É interessante lembrar que, no folclore e nas lendas europeias, as bruxas foram vistas como aquelas mulheres que praticavam magia e que, também, voavam pelos ares durante a noite, sendo associadas aos “Viajantes da Noite”. Em 500 a.C., o escritor Heraclitos, na obra "Os Pré-socráticos", afirmou que a magia antiga era praticada pelos: “Viajantes da Noite, os magos, os Bacantes, as Mênades, os Iniciados”. Ou seja, os “Viajantes da Noite” ou “Donas de Fora” eram ninguém mais que companhias de magos e mulheres sábias denominados por "místicos" ou "iniciados".

Se nos reportarmos aos livros, “História Noturna: decifrando o sabá” e “Os Andarilhos do Bem: bruxaria e cultos agrários dos séculos XVI e XVII”, notaremos que os chamados “viajantes da noite”, assim como também chamados de “mulheres de fora” ("Donni di Fuora"), saíam às celebrações mágico-religiosas à meia-noite e (segundo lendas folclóricas italianas) se alimentavam sem a presença do sal, adoravam uma Deusa e chamavam-na de “Matrona”, “Senhora Grega”, “Madonna Oriente”, “Richella”, “Abundia” ou “Diana” e muitos outros nomes e, seus adoradores, eram acusados com frequência pelo clero Cristão de heresia. Ou seja, tais “viajantes da noite” e os “místicos”, predominantemente mulheres, eram ninguém mais que as próprias Bruxas (quanto ao Sal, embora possua propriedades com virtudes mágicas e seja altamente usado na Bruxaria, em determinados ritos bruxescos a ingestão do sal é evitada em decorrência do estado alquímico-energético de dissolução ou "solve" versus coagulação ou "coagule" que se deseja chegar ou sintonizar). 

Em “Os Andarilhos (...)”, Carlo Ginzburg reproduz a fala de Maria Panzona, uma mulher acusada de prática da Bruxaria no século 16 ou 17, em Verona na Itália, onde afirma: “Nós nos conhecemos quando pertencemos ao mesmo colégio, isto é, quando nascemos sob aquela estrela que faz com que a alma saia inicialmente em forma de borboleta [...], só reconhecemos os da mesma companhia [assembleia ou clã] [...], embora se possa ver enorme quantidade de borboletas [psiquês ou almas] naquele prado, porque todas as que fazem parte de uma companhia permanecem separadas das outras companhias” (GINZBURG, p. 133).

Outro grupo de significado semântico similar, são: a etimologia-raiz “Norn”, do nórdico, para referir a uma donzela, senhora, ninfa ou fada, três mulher-fadas que determinavam, conforme os mitos antigos, o destino dos homens e dos deuses que, entre os greco-romanos antigos, chamavam-se ‘fadas’ ou ‘moiras’; a etimologia-raiz “Naiades” e “Noitides”, do grego, para designar as fadas e/ou ninfas das águas, rios e fontes, as quais inclui-se, conforme os mitos antigos, sacerdotisas místicas ou iniciadas bacantes; e a etimologia-raiz “Dziana” e “Doamna”, do romeno, para nomear uma fada ou nereida. Isto é, as características principais destas etimologias-raízes podem ser sintetizadas sob a designação de “fada”. Ou seja, está claro que refere-se às bruxas, embora que de uma forma um tanto poética ou, mais propriamente dito, como uma "mulher fatal" ("femme fatale"), cujos fascínios e encantos podem ser sedutoramente fatais para um mortal ou humano comum.



Deve levar em consideração que a terminologia "fada" também foi usada para descrever os membros da "Tuatha-Dé-Danann" ou "Tribo de Danaans", os Povos do Mar ou Pelasgos, que ficaram conhecidos lendariamente como Povo das Fadas, bem como na Escócia picta, na Irlanda e na Ilha de Man, cuja sua origem é pré-helênica na região oriental onde se conhecia antigamente por Anatólia e que, atualmente, constitui a Turquia, onde fora, originalmente, fundada a Bruxaria por meio do mago ferreiro Tubalcain, conforme os próprios mitos da Bruxaria Medieval. Ademais, segundo mitos bruxescos, as bruxas possuem familiaridade com as “fadas” propriamente ditas, isto é, às “fatas”, também chamadas de “moiras” ou “nereidas”, uma raça de gênios femininos e/ou janas das águas, associadas às Três Servas Fiandeiras (uma das quais é Naamah/ Aphrodite Kharis, a primeira bruxa), em função da estreiteza entre a egrégora da Bruxaria e a hierarquia do mundo das Fadas. 

O subgrupo seguinte de significado semântico que se assemelha, são a etimologia-raiz “Baszni”, do húngaro, para referir-se à ‘depravação, foda, sexo, libertinagem’; a etimologia-raiz “Qedesa”, do árabe, para nominar 'uma prostituta sagrada ou prostituta do Templo da Mystíria, conjunto de clãs de culto aos mistérios da natureza'; e a etimologia-raiz “Storge”, do grego, para referir-se ao 'amor ou amante'. Nos antigos Templos do Clã Afrodisíaco ou Adonista, sacerdotisas denominadas de “Qedesa” ou “Quadishtu”, também chamadas de “Nu Gig” – que estão ligadas às Sheela-Na-Gig das catedrais europeias medievais –, serviam à Deusa Estelar e sua filha, a donzela Qetesh (literalmente, "Santa" ou "Heroína"), a primeira bruxa, por meio da prática de Magia Sexual. 

Carlo Ginzburg, em suas obras relacionados à bruxaria, já têm apontado que as Bruxas realizavam orgias e que, as lendas e contos medievais sobre as Bruxas, acusavam-nas de sensualidade, luxuria, atos de ‘perversidade’ e beijos ‘obscenos’ (quanto à moralidade Cristã celibatária em que o sexo, visto como algo sagrado pelos pagãos, aos olhos de um Cristão era um "pecado" ou o "pecado original"). Essas práticas referidas como orgia, visto que etimologicamente está relacionada à "Arte", era nada mais que a própria Magia Sexual. A Magia Sexual é a mais poderosa fonte de poder do cosmos e, é por meio dessa relação íntima entre duas forças que se atraem, que todas as coisas são criadas no universo: esse conceito permeia todas as coisas e, sem ele, nada pode ser concebido como manifesto. Nesta perspectiva, Mircea Eliade, em seu ensaio de religiões comparadas, "Ocultismo, Bruxaria e Correntes Culturais", afirma a existência comum, em várias regiões da Europa Medieval, de uma cerimônia religiosa atribuída às Bruxas, discorrendo:

“[...] Um dos primeiros testemunhos foi obtido por Stephen de Bourbon, Inquisidor no norte da França a partir de 1235. Uma mulher confessou-lhe a seguinte história: ‘Sua patroa frequentemente a levava para um lugar subterrâneo onde uma multidão de homens e mulheres se reunia à luz de tochas e velas, em redor de um grande vaso onde se havia colocado um bastão (um rito de fertilidade?). O líder, então, invocava Lúcifer a vir até eles. Nesse momento, um gato de aparência horrível aparecia no quarto. Depois de mergulhar sua cauda na água, ele aspergia os presentes. Então, apagavam-se as luzes e as pessoas se entregavam a práticas sexuais." 

Com poucas variações, essa é a descrição do Sabá das Bruxas que se registra com grande freqüência nos séculos seguintes. Os elementos característicos são: o encontro num local subterrâneo, a evocação e o aparecimento de Satã, a extinção das luzes seguida de práticas sexuais indiscriminadas. Essa monotonia torna-se inesperadamente significativa quando se constata que, a partir do começo do século XI, exatamente a mesma acusação foi levantada contra os diversos movimentos reformistas considerados heréticos. Dessa forma, em 1022, na cidade de Orleães, um grupo de reformistas foi acusado de praticar orgias sexuais em cavernas subterrâneas (conventículos?) e casas abandonadas.

De acordo com a denúncia feita, os devotos entoavam os nomes dos demônios; e, quando um espírito mau aparecia, as luzes eram extintas e cada membro do grupo se entregava a quem estivesse mais próximo, fosse mãe, irmã ou freira. As crianças concebidas por ocasião dessas orgias eram queimadas oito dias após o nascimento... e de suas cinzas fazia-se uma substância usada numa imitação sacrílega da comunhão cristã. Tais acusações tornaram-se costume e eram repetidas a respeito de cada indivíduo ou grupo acusado de heresia.

Um relato, datado de 1175, diz que os hereges de Verona se reuniam num local subterrâneo e, depois de ouvir um sermão sacrílego, apagavam as luzes e se entregavam à orgia. De acordo com Konrad de Marburg, o primeiro inquisidor papal na Alemanha, os membros das seitas (do século XIII) costumavam se reunir num local secreto; o demônio aparecia sob forma de um animal e, depois de cânticos e uma breve liturgia, apagavam-se as luzes e tinha lugar uma orgia heterosexual” (ELIADE, Mircea. In: "Ocultismo, Bruxaria e Correntes Culturais").

Compreende-se que o termo “Satã”, utilizado na citação acima, é nada mais que nominação abraâmica utilizada erroneamente pelos padres e teólogos Cristãos para referir-se ao Deus de Chifres das bruxas, o "Daimonos" ou "Agathos Daimon", o próprio Deus Dionysos. Enquanto isso, o termo “Diabo” trata-se de uma estigmatização do título de “Divus” ou “Dibus”, um adjetivo latino dado aos imperadores romanos da era pré-cristã que, após a morte, eram santificados; neste sentido, como Jesus Cristo havia sido morto por ordem de um imperador romano ou “Divus”, foi visto entre os primeiros Cristãos como o símbolo do mal e inimigo do Deus Jave, cuja característica desses primeiros Cristão era atribuir importância divina à Jesus e rejeitar a honraria à divindade do Imperador Romano, igualando “Divus” às concepções Judaicas de “Satã”; portanto, as Bruxas, enquanto pagãos que aceitavam a autoridade do “Divus” eram declaradas como pactuadoras do antigo poderio religioso que os Cristãos buscavam exterminar.

Entretanto, algo descrito erroneamente, também, trata-se da prática de matança de crianças, atividade ignóbil jamais praticada pela Bruxaria Medieval; acusação que, também, foi levantada pela Igreja Católica contra as seitas da Igreja Gnóstica e, retornando mais no tempo passado, tal acusação de matança de crianças foi levantada, originalmente, pelos antigos pagãos do Império Romano em relação aos primeiros sacerdotes Cristãos e suas Igrejas. Através de investigação oculta, sabe-se que as Bruxas não possuíam tal prática de matança de crianças, assim como também não cultuavam o "Diabo" ou "Satã" e que, essas calúnias, visavam perder o prestígio do culto das Bruxas, contudo, se os Cristãos primitivos praticavam a matança de crianças, ou se essa acusação foi levantada apenas por calúnia, é uma boa pergunta.

Também, como sabe-se, por meios ocultos, as Bruxas possuíam como prática principal em sua religião de segredos a Magia Sexual. Desta forma, fica um tanto mais clara a origem semântica dessas etimologias-raízes da palavra “bruxa” (e “bruxaria”), neste caso relacionado às orgias, folias, “depravações” e “libertinagens”. Na Bruxaria, sabemos que, antes da Orgia propriamente dita, ocorriam as folias ou toques de Gaitas de Fole, instrumento utilizado por um bruxo que possui o cargo de Bardo ou Aedos, no Círculo Mágico de um conventículo da Bruxaria, para criar a egrégora ritualística a partir da música e dos sons que possuem virtudes ocultas (bem como o poder dos chifres, que proporciona um alto nível do estado mental da bruxa).

As etimologias presentes nas línguas dinamarquesa, norueguesa, alemã, holandesa, africâner, inglesa, cebuana, georgiana, mong, khmer, laosiana, marati, inglesa antiga, islandesa e maltesa aparentam-se, também, estarem ligadas à palavra "Vicia" (também citada na moderna "Tradição Feri"), que trata-se de uma tradução greco-latina para o termo grego "Mania" que, por sua vez, era aplicado com determinada ênfase à uma espécie de euforia ou frenesi entusiasmado em que celebravam as Mênades (sacerdotisas do Clã Dionisíaco, da Arte dos Sábios) em seus ritos contemplativos e enteógenos, bem como com a ingestão de filtros e poções com virtudes místicas. Os ensinamentos do Clã Platônico (vide o tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade") afirmavam que é através das inspirações da "Euforia Divina" ou "Frenesi Divino" ("Theia Mania") que poderiam levar o Iniciado da "Mysteria" ou Arte dos Sábios até as "Ideias", isto é, as associações intuitivas inatas e ante-pessoais ou formas divinas (portanto, eternas e superiores aos instintos), chamadas na Bruxaria Medieval por "Associações Encadeadas" ou "Associações Correntes de Memória" ("Memory Chain Associations"), tal como o axioma: "uma Bruxa nasce Bruxa".

Contudo, tal relação com uma etimologia pan-europeia mais antiga pode ser provável, como atestam as inscrições tessalônias descobertas em que refere-se às "Agyrmos" (reuniões das sacerdotisas da Mysteria, como do Clã Eleusino e do Clã Dionisíaco) como "Viciani" e "Thiasos" (RICHARD S. ASCOUGH. "Paul's Apocolypticism' and the Jesus Associations at Thessalonica and Corinth". In: Redescribing Paul and the Corinthians, Inscriptiones Graecae, 2011), confrarias de Iniciados geralmente do Clã Dionisíaco que celebravam os Sabás, como por exemplo o Rosalia (equivalente ao festival Beltane), e estavam subordinadas aos "Dryophoroi" ou Dríades ('poetas do carvalho', do Grego "dry", carvalho, e "aedos", poetas) ou Epoptas, que trata-se, estes últimos, das bruxas que já conquistaram o último grau da Bruxaria (que antecede a idade média), chamado de "Primeiro Grau" (em lógica decrescente, pois, o "Terceiro Grau" era a primeira Iniciação e, o "Primeiro Grau", a última), cuja característica deste grau é a contemplação entusiástica e o heroísmo. 
  
Outro subgrupo de significados semânticos, são a etimologia-raiz “Kraljevi” e “Kralijce”, do sérvio, para referir-se à ‘uma rainha, condessa ou matrona’; “Regina”, do latim, também para designar ‘uma rainha, dama, madame ou líder real feminino’; a etimologia-raiz “Czar” e “Caesar”, do búlgaro e do latim, refere-se à ‘um monarca; cabeludo, cabeça ou comandante’; a etimologia-raiz “Qadi”, do árabe, para ‘um conselheiro real, julgador ou conde’ (que também pode, igualmente, ser tradução de “Quadishtu”, um iniciado ou sacerdotisa da Deusa Estelar, na antiga "Mysteria" ou Arte dos Sábios); e a etimologia-raiz “Vizir”, do árabe, para ‘um conselheiro real, monarca ou servo real’. Ou seja, ambas essas quatro etimologias-raízes apontam para um rei ou rainha, monarca, matrona ou magistrado. 

Na Mysteria Lupercal, as mulheres eram designadas comumente como "matronas" ou "senhoras" sob a autoridade dos "Caesar" – isto é, dos Magus ou Majestades, companheiros das Rainhas das Bruxas ou "Regina Sacrorum" – dando-lhe destaque no culto à Deusa que, no início da idade média, foram acusadas pela Inquisição de adorarem "Madonna Oriente" ou "Signora del Gioco" e, através desta adoração e magia, ressuscitavam miraculosamente os mortos, o que levou à queima das matronas deste Clã pela Inquisição (falamos deste Clã no tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade"). A Bruxaria era, enquanto organização secreta, governada por Rainhas das Bruxas e um dos sinônimos que recebia, além de “Arte dos Sábios”, era “Arte Sacerdotal e Real”, pois, essa metáfora busca sintetizar uma mensagem oculta e esotérica: que é preciso exercer o Sacerdócio e a Filantropia para, conforme a cósmica Lei de Justiça de Tubalcain, chegar ao Trono alquímico ou tornar-se um "Hu Al-Qa'im", isto é, literalmente um Logos Ascenso, também chamado de Herói ou Santo (visto que "santo" é tradução pagã romana para "Herói"), de acordo com a alquimia arábico-egípcia das Bruxas; assim, era ensinado – como relatado por uma bruxa nas confissões da Inquisição – que a Bruxaria visa conquistar o poderio de comandar, subir ao poder ou aprender a reinar.

Também, a Bruxaria ensinava que a "Colmeia de Rainhas" possuía descendência até os antigos Reis Sacrificados ou Santificados, bem como até a fiandeira Naamah e o mago ferreiro Tubalcain. O antigo regime real afirmava, como dogma pagão, em todo o mundo antigo, que os reis possuíam o direito divino de governar. Tubalcain, o fundador da Bruxaria, defendia como princípio a lei de justiça e seu revolucionário preceito harmônico-pacifista, onde o "Reinado dos Sábios" – por meio da sabedoria ("Noscere", saber), da coragem ("Velle", querer), da prática da justiça ("Audere", ousar) e da prudência ("Tacere", calar), como fala Platon (acerca dos Ensinamentos de Hermes) – deveria restabelecer o comunitarismo social para libertar as pessoas da opressão, banindo o imperialismo e a crueldade manipuladora e controladora.

Além disso, o subgrupo procedente de significados semânticos, são: a etimologia-raiz “Beщ”, do búlgaro, que significa ‘saber, conhecer, habilidade, engenho ou coisa’; e a etimologia-raiz “Sideros”, do grego, para referir-se à ‘metalurgia, prática de ferreiro ou alquimia’ que, por sua vez, deu origem às palavras: "Sidhe", na língua escocesa, irlandesa, manesa e britânica em geral, para referir-se às Bruxas, assim como "Seidkona", na língua huno, sobrevivente em idiomas medievais germânicos, também para designar às Bruxas; e "Seidr", na língua huno e germânica, para referir-se à metalurgia sagrada ou prática dos alquimistas e ferreiros que eram Bruxos descendentes, diretos por consanguinidade, do mago ferreiro Tubalcain/Hephaestos/Volundr, o Fundador da Bruxaria. O Clã Telquino (vide o Clã Telquino no tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade") constituía-se de uma raça anã ou pigmeia, descendente da pré-helênica "Tribo de Danaans" e do mago ferreiro Tubalcain e que, dentre suas linhagens, estavam: a Helíade, a Huno-haliaruna, a Huno-heftalita, a Huno-manesa e a Huno-picta; pois, as Bruxas da linhagem Huno-haliaruna que foram expulsas de Rodes — após impedir a entrada do Clã Afrodisíaco/Adonista em terras rodienses — passaram a viver como nômades pigmeus por toda a região da Turquia e da Caldeia, Irã e Índia, assim como também por todos os países da Europa, no início da era de peixes, constituindo, junto com os mestiços turcos, os Povos Hunos.

Posteriormente, com as perseguições germânicas aos Hunos e às Bruxas da linhagem Huno-haliaruna, alguns desses Bruxos se refugiaram até a Ilha de Man, estabelecendo a linhagem Huno-manesa que, no início da era de peixes, tornou-se um centro de ensino, não apenas da Bruxaria, mas, também, do Druidismo; e por fim, outros bruxos de linhagem Huno-haliaruna passaram a viver como nômades e, depois de se estabelecer na Escócia, seus membros ficaram conhecidos popularmente como pertencentes à lendária "Tuatha-Dé-Danann", pois, nas escocesas Terras Altas, instituíram a linhagem Huno-picta que, dentre os principais descendentes de Sangue Real ("Rigdomna", em picto), foram os reis escoceses Dub Mac Mail Coluim (cujo seu memorial, a Pedra de Sueno, situa-se em uma antiga estrada de Forres à vila Findhorn) e, em reinados posteriores, MacBethad Mac Findlaich (o qual foi chamado de "Macbeth" nos contos de fadas de William Shakespeare). No Clã Telquino, assim como no Clã Panatenaico e no Clã Artemisiano, as bruxas costumavam fazer o uso do Bastão Priápico ou Licnites Dionisíaco (também chamado de Báculo ou Tirso), na prática da Magia Sexual, bem como no caso de falta de homens, sendo que a maior característica do Clã Telquino era o uso comum da Magia Manual, da Magia Onírica e da Alquimia, e geralmente organizavam-se em grupos secretos de nove ou treze integrantes. 

Nas lendas medievais germânicas, o ferreiro divino Volundr é chamado de "Príncipe dos Elfos" ("Visi Alfa") e "Líder dos Elfos" ("Alfa Ljodhi"), e sua esposa "Alvitr" ou "Alfrodull" (Aphrodite), pois, os elfos nada mais eram que anões ou pigmeus, que em geral eram membros dos Povos Hunos (conhecidos entre si como "Wanen" ou "Vannin" ou "Fianna" ou "Veneti" ou "Vennones", proveniente de "Wanassa", título da donzela Aphrodite enquanto "Senhora"), famosos por sua magia feminina e poderes de fertilidade e prosperidade, em contraposição aos povos de estatura gigante ou não-anão, isto é, os guerrilheiros germânicos da tribo "Wesi", referidos nos livros medievais como Visigodos, os quais entraram em conflitos com os Hunos e alguns deles foram conquistados pelos próprios Hunos: os Ostrogodos ou "Greuthungi", que passaram a constituir uma tribo independente dos "Wesi". A linhagem Huno-manesa do Clã Telquino possuía como integrante a bruxa Rowena, a "matriarca da nação britânica", que deu origem à descendência de Bruxas que, em parte, se aliaram ao governo da corte de Camelot, juntamente com bruxas de Clãs romanos que deram origem à organização secreta das Bruxas Medievais.

Em 1920, Gustav Neckel disse que "Freyja" ou "Frija", a Deusa Huno sobrevivente em lendas germânicas medievais, trata-se de uma versão da Deusa Rea/Cybele, a qual possuía como título "Phrygia" ou "Frigia", da mesma forma que também o Filho Divino Attis — assim como "Freyr" — possuía o javali como animal sagrado e a luz que reflete do Sol e que, portanto, na Europa medieval mantinha-se o costume de caça de um javali no período do Sabá invernal ou natalino (em conformidade com minhas memórias, de quando vivi como um anão Huno, em que recebi iniciação na linhagem Huno-haliaruna deste Clã, que vivíamos por toda a Europa, na transição da antiguidade tardia ao início da era de peixes e, com as frequentes guerras étnicas, minha família se instalou em uma região italiana onde constituímos o antigo lugarejo da Récia, Cárnia e Vêneto (assim como parte da Eslovênia), que incluía-se o Friul (vide: "Benandanti") e cuja a capital atual é Veneza, "o Estado do Mar", sendo que a maioria trabalhava como pedreiro, ferreiro e/ou camponês e, com a emigração italiana entre 1880 e 1930, nossa descendência veio para o sul do Brasil, pois, embora a maioria fosse puritano ou benzedeiro Cristão Católico (vide: "Benedicaria" ou Benzedura), também haviam magos alquimistas e adeptos da Bruxaria.

Deste modo, os praticantes masculinos da linhagem Huno-haliaruna eram socialmente vistos como efeminados pelos patriarcais e opressores Povos Germânicos, da mesma forma que os praticantes masculinos do Clã Dátilo ou Gálico que, muitas vezes, castravam-se, como precaução para não gerar crianças há cada fase lunar em que ocorria a prática da Magia Sexual (se tivessem conhecimento dos métodos egípcios, do uso de tripas de elefantes, ou maiores conhecimentos de ervas abortivas, talvez não houvesse necessidade da castração masculina, embora que atualmente hajam métodos modernos mais eficazes). Também, entre os membros deste Clã, assim como também na Bruxaria Medieval, acreditava-se que uma Bruxa nascia com o "Caput Galeatum", isto é, um halo áurico ou auréola de magia (tido, nas superstições populares, como uma capa física, como "camisa" ou "membrana do saco amniótico") que envolve a cabeça da bruxa, em decorrência do Selo da Bruxaria, o qual possui na aura ou na contraparte etérica do sangue, que faz conexão com o poder arcangélico e divino de Tubalcain e dos Deuses.

Em 1839, o erudito Franz Josef Mone afirmou que as Bruxas da Alemanha — que cavalgavam sob o comando de "Holda" ou "Holle" ou "Holla" (Halia, um dos nomes arábico-telquinos da Dama Venus/Aphrodite, cujo culto na Alemanha Medieval estava presente na caverna secreta de "Venusberg", onde a Deusa das bruxas era adorada sob o nome de "Habondia" ou "Abundia" devido à influência de clãs romanos) — eram integrantes pigmeus de uma religião pagã pré-cristã, que não havia origem germânica, mas, sim, fora trazida no início da era cristã por escravos gregos na costa norte do Mar Negro, que adoravam Hecate e Dionysos que, mais tarde, instituiu-se em organização secreta para comemorar as orgias noturnas e a magia do Deus-bode e, ao mesmo tempo, sobreviver às perseguições da Igreja Católica, após horrorizar a população puritana e conservadora. 

Contanto, o Grifo, a ave mitológica nos brasões das linhagens europeias que mistura aspectos de águia e de leão, às vezes chamado de "Turul", era utilizado como símbolo de heroísmo e/ou santidade e, portanto, da vitória de Tubalcain/Nimrod (às vezes referido como "Hadur" ou "Odur", enquanto rebelador, na língua huno) contra o imperialismo. As Bruxas do Clã Telquino, bem como as da linhagem Huno-haliaruna, utilizavam um alfabeto pelasgo, cujos símbolos são os protótipos das Runas Medievais, no entanto, não possui semelhança alguma com as Runas propriamente ditas, mas, possui similitude com o Alfabeto Angelical ou "Malachim", publicado pelo mago e bruxo Heinrich Cornelius Agrippa, e uma forte relação com alguns entalhes húngaros, do Deus de Chifres proto-Baphomet em posição meditativa de lótus, "Karabazmos" ou "Kayrahan" (o nome trácio e turco do Deus Khronos/Kayros ou Zeus Keraunos, cuja sua consorte era a Deusa Rhea/Phrygia/Ananke), que na Europa Ocidental foi chamado de "Kernunnos" ou "Bel Karrano" (o "Deus Celeste" na Língua Cigana) e possuía "Atya" (o nome turco para o Filho Divino Attis) como filho ou herói. 



Também, no Clã Telquino, a Deusa Mãe e o Deus Cornífero eram adorados sob os nomes de Khronos/Helios ou Poseidon/Pontos/Okeanos e Amphitrite/Thetys/Thalassa (mais conhecida como Rea/Phrygia/Rhodes/Rhetia/Reitia ou Aphrodite Ourania/Ishtar), sendo que a adoração pendia mais para a Grande Mãe. O Clã Telquino ensinava que, inicialmente, o Deus Cornífero e a Deusa Mãe haviam dado nascimento à uma donzela do mar, vista como uma fada ou ninfa por sua associação com a água, chamada Aphrodite Zerynthia (conhecida entre as lendas germânicas como "Alfrodull"), referida às vezes por títulos rodienses como Melia, Halia Leucothea e Kapheira/Kabeiro, a primeira Bruxa que havia nascido do mar, isto é, do Povo do Mar ou Pelasgos, o lendário matriarcal "Povo das Fadas" que, mais tarde, ficou conhecido como a pré-helênica "Tribo de Danaans" ou, quando viveram entre os celtas, como "Tuatha-Dé-Danann". O uso de caldeirões de cobre e, depois, enterrá-los próximo à rios ou riachos, como atestam as descobertas arqueológicas, eram comuns na linhagem Huno-haliaruna.

A prática mágico-religiosa principal do Clã Telquino, bem como na sua linhagem Huno-haliaruna, era a incorporação do Deus do Sol no sacerdote e da Deusa da Lua na sacerdotisa e o ato da Magia Sexual, assim como nos demais Clãs clássicos e, perdurado mais tarde, na própria Bruxaria Medieval. Além disso, os iniciados ao último Grau da Bruxaria, tanto no Clã Telquino como no Clã Cábiro e em outros afins, recebiam o título de "Dríade" (às vezes, também grafado como "Drude" ou "Druad" ou "Dryophoroi") — origem da etimologia "Druida", utilizada para os adeptos da religião de Zamolxis ou Druidismo — que, conforme tal titulação iniciática, os Bruxos deste grau ficaram famosos, na Alemanha medieval, ao participarem de "Batalhas das Bruxas" (prática de expiação aos feiticeiros mantida, pelas Bruxas, em determinados tempos e, mais tipicamente utilizada, pelos próprios praticantes da religião de Zamolxis ou Druidismo, que realizavam um sacrifício de uma pessoa à cada quatro anos), onde a Marca da Bruxa ou pentagrama, sob o nome de "Pé da Dríade" ("Drudenfuss") ou "Símbolo Élfico", também fazia-se uso. 

O Deus Poseidon havia como título "Nuadu" e, em função das fonéticas linguísticas, ficou conhecido como "Nuada" ou "Manannan" (ou "Gwyn Ap Nudd" nas lendas folclóricas) entre os integrantes da "Tuatha-Dé-Danann" na Irlanda, Escócia e Ilha de Man, cuja sua filha teria sido a dama "Niamh" (Naamah, na Bruxaria Medieval, e Ninmah, no Clã Adonista, da Bruxaria Clássica), a primeira bruxa, que também fora vista como rainha da Terra de Verão da Juventude Eterna; assim como, também, "Nuadu" ficou conhecido por "Njord" na mitologia dos Povos Germânicos, em função de sua relação conflituosa estabelecida com os Hunos; e como "Noden" ou "Neptunus" entre os romanos, de Roma e da Grã-Bretanha. Particularmente, os membros da "Tuatha-Dé-Danann" na Irlanda e na Escócia, os quais, como mencionado, eram integrantes do Clã Telquino, possuíam a crença de que eram "Filhos de Lir" ou "Filhos do Mar", isto é, pertencentes à raça dos Povos do Mar ou Pelasgos, como também cita a medieval Canção de Amergin:

“Sou um vento do mar; Sou uma onda do mar; Sou um veado de sete pontas; Sou um falcão num penhasco; Sou uma lágrima do Sol; Sou a beleza entre as flores; Sou um javali; Sou um salmão num lago; Sou um lago numa planície; Sou uma colina de poesia; Sou uma lança combatente; Sou um deus criador do fogo sagrado. Quem senão eu conhece as reuniões da casa do dólmen na colina? Quem senão eu sabe onde o Sol se põe? Quem prediz as fases da Lua? Quem traz o gado da casa de Tethra e o separa? Quem senão eu dá as boas-vindas ao gado de Tethra? Quem dá formas às colinas? Invocai, Povo do Mar, invocai o poeta, para que possa fazer-vos um encanto. Pois eu, o Druida, que pus as letras no Ogham; Eu, que separo os combatentes; Hei de abordar a Fortaleza das Bruxas em busca de um poeta hábil, para que juntos possamos fazer encantamentos. Eu sou um vento do mar”.  

Robert Cochrane enfatizou que Holda/Holle/Holla era a "Dama Branca" ou "Deusa Branca" (Leucothea) e, em particular, os próprios mitos europeus, afirmavam que Holda/Holle/Holla era "uma fiandeira que supervisionava a fiação" e uma "líder de Bruxas" — pois, a palavra Holda/Holle/Holla é uma variação linguística para a dama Halia/Aphrodite ou Alvitr/Alfrodull, a primeira bruxa, que foi uma tecelã, esposa do mago ferreiro Volundr/Tubalcain/Hephaestos — descrita, na idade média, pelos próprios relatos eclesiásticos como "strigam Holda", isto é, a bruxa Holla. Além disso, a sedutora Primeira Bruxa (Halia/Aphrodite) foi inferiorizada nas lendas dos patriarcais Povos Germânicos como "Hela" ou "Hel", sendo estereotipada, juntamente com o cão e o grande peixe erótico que acompanhava os iniciados do Clã Telquino, como o lobo "Vanagandr" e a serpente "Midgardsormr", cujos três foram descritos, demonizadamente, como a origem do mal e a causa do final do mundo, nas lendas dos guerrilheiros Povos Germânicos. Não obstante, a bruxa Gullveig ou Heidr, de linhagem Huno-haliaruna, fora queimada viva pelos opressores Germânicos.

O historiador romano Jordanes afirmou que um bando de Bruxas que haviam "dado origem" aos Povos Hunos, referidas como "Haliarunas", infiltraram-se em um exército de guerreiros germânicos e que, pela opressão patriarcal dos Povos Germânicos, acusaram-as de ser "espíritos imundos" ou anãos, expulsando-as para retornarem às tribos dos Povos Hunos. O termo "Haliaruna", assim como suas variações gráficas surgidas posteriores, possuem origem em uma língua pré-helênica, cujo significado precedente é "Justiceiras de Holda" ou "Eríneas de Halia", chamadas na mitologia grega de "Melíades", que foram expulsas da Ilha de Rodes pelos bruxos da Linhagem Helíade do Clã Telquino, pois, tais bruxas de linhagem Melíade/Huno-haliaruna foram banidas de Rodes pelo fato de terem envenenado a terra e os animais rodienses, o que, por sua vez, constituía uma corrupção da lei bruxesca de Justiça e, depois de serem julgadas pelos bruxos de linhagem Helíade, passaram a viver como nômades. 

Desta forma, os bruxos da Linhagem Huno-haliaruna se dividiram, onde um ramo foi para a Europa Ocidental e outro ramo foi para a região da Turquia e da Caldeia, Irã e Índia, onde surgiu a Linhagem Huno-heftalita, cuja denominação no original "Hephthalites" significa "Justiceiras de Tubalcain" ou "Litais de Hephaistos" que, por fim, alguns membros desta linhagem migraram da região da Caldeia, Irã e Índia para a região da Romênia e Hungria, onde ficaram conhecidos, dentre os andarilhos, como "Ciganos Kalderash (os Romanis, às vezes confundidos por 'Egípcios')" e como "Filhos de Caim [ou Tubalo]" que, em tempos anteriores à sua conversão para a religiosidade maniqueísta, quando ainda eram adeptos da Bruxaria, eram Iniciados aos sete anos de idade, passavam um ano como iniciante e mais sete anos em cada um dos três graus iniciáticos, de modo que, ao completar trinta anos, terminavam os graus de iniciação, da mesma forma que outros Clãs da Bruxaria Clássica, sendo que a primeira bruxa era honrada pelo nome de "Kali" cuja origem, antes de ser utilizado enquanto nominação para Sarah bíblica, constituía-se numa corruptela do título grego de Naamah/Aphrodite "Kalleis" ou "Kale" (sobrevivente nas lendas indianas como "Kali Sarasvati"), razão pela qual os mitos falam que Dionysos ou o culto de Dionysos havia ido para a Índia e lutado contra os indianos nativos. 

Enquanto isso, por toda a Europa, as Bruxas de Linhagem Huno-haliaruna, Huno-manesa e Huno-picta, deste Clã, ficaram conhecidas lendariamente como "Fadas", "Furiae", "Os Bons Vizinhos", "As Terríveis", "Dirae", "Justiceiras", "Disir" ou "Idisi", "Fiandeiras" — como cita Margaret Alice Murray — que ficaram famosas por presidirem tribunais pagãos tripartidos em cavernas secretas, chamadas de "Liga da Corte Sagrada" ou "Santa Veeme", onde os acusados de injustiças passavam pelo ritual do "Julgamento da Espada" por sentenças dos "Franco-Juízes" ou "Juízes-Livres" para punir os crimes cometidos socialmente, como uma extensão dos ideais de Justiça de Tubalcain, segundo as ordens do(s) Sacerdote(s) Vermelho(s) de cada Clã bruxesco e/ou, às vezes, de cada conventículo da Bruxaria. Ao receber a sentença, caso o acusado fosse declarado como parcialmente culpado e merecedor de expulsão, o cálice era quebrado; ao passo que se fosse declarado totalmente culpado e merecedor de castigo, a espada era quebrada. Em cerca de 800 d.C., Carlos Magno, rei da dinastia pós-merovíngia ou carolíngia, instituiu privilégios às Santas Veemes. 

Porém, como as Santas Veemes eram instituições da "Colmeia de Rainhas" da Bruxaria, isto é, de caráter matriarcal, as mulheres com tal poderio passaram a negligenciar a sentença dos Franco-Juízes, o que levou à corrupção da lei bruxesca de Justiça, sendo que essa negligência matriarcal das sentenças de justiça resultou no ódio entre os patriarcalistas, tanto Germânicos quanto Cristãos, desencadeando em consequência a Inquisição (motivo pelo qual a Ordem Rosacruz, no passado, renunciava a autoridade do Papado da Igreja Católica e de qualquer outro imperador sob a terra que não fosse o soberano do Sacro Império Romano ou Sacro Império Romano de Nação Germânica, o qual reivindicava descendência, por meio da dinastia real carolíngia, até Alexandre III o Magno, iniciado do Clã Amonita). Como forma de revolta das Santas Veemes à "caça-às-Bruxas", estas passaram a dar sentença de morte — como por enforcamento em árvores — à quaisquer culpados de crimes sociais (aliás, a corda ritualística envolta do pescoço do iniciante na Maçonaria não advém da Inquisição, mas, sim, da sentença das Santas Veemes), como ocorreu séculos depois, por exemplo, com o inquisidor Konrad von Marburg, ao ser enviado pelo Papado Cristão (1227-1233) à Alemanha para eliminar as heresias. Felizmente, sobreviveu um manuscrito alemão medieval do século 9 ou 10, os "Encantamentos de Merseburg" que, no encantamento chamado "Libertação dos Prisioneiros", descreve brevemente os condenados pela Santa Veeme na Alemanha:

"Uma vez que as 'Idisi' (as Justiceiras, mulheres-fadas da Liga da Corte Sagrada) pousaram aqui, resolveram aqui e lá. Algumas prender grilhões, Algumas obstruir os grupos na guerra, Algumas afrouxar os vínculos dos bravos: Saltem por adiante dos grilhões, escapem dos grilhões".

De outro modo, as bruxas das linhagens Huno-manesa e Huno-picta, do Clã Telquino, chamavam de "Os Três Gênios da Arte" ("Trí-Dée-Dána") as deidades descritas como "Goibhniu" ou "Gobannon" (literalmente "o Ferreiro"), "Luchta" e "Creidhne" (que é, como dizem os mitos irlandeses, uma mulher, não um homem), ou seja, tratam-se de títulos para Tubalcain, Enoch/Ningishzidda e Naamah (haja visto que um de seus títulos gregos é "Cerdo" ou "Cinna"), isto é, os primeiros magos e sacerdotes da Bruxaria, entre as danaides ou integrantes da "Tribo de Danaans" ou "Tuatha-Dé-Danann". Tendo em vista tais aspectos citados e demais fatores a seguir, é importante lembrar que, na língua eslava, as sacerdotisas da Mysteria Artemisiana ou Diânica (vide o Clã Artemisiano no tópico da galeria: "Os Clãs da Bruxaria na Antiguidade") foram referidas, na idade média, como "Dziewica", às vezes traduzido como 'donzela' ou 'virgem', em função de que tais iniciadas apenas se relacionavam entre os membros do Clã (assim como também ocorria no Clã Telquino) para não misturar com energias de não-membros e, na falta de sacerdotes, realizavam Magia Sexual com a Baqueta ou Báculo, também chamado de Bastão Priápico ou Liknites Dionisíaco.

Contanto, o subgrupo seguinte de significados semânticos, são: a etimologia-raiz “Ved'ma”, do russo, para designar ‘uma sábia, conhecedora ou maga’; a etimologia-raiz “Wicche”, “Wiccan” *, “Vitki” e “Wit-”, do inglês e do germânico, significando ‘bruxas; bruxos; mago; saber, conhecer e moldar’; e a etimologia-raiz “Haegtsse” ,“Hagzissa”, “Hakeen” e “Hike” ou “Heka”, do inglês, germânico, árabe e greco-egípcio, para designar ‘uma bruxa, um ser furioso; bruxa; sábio, mago; ritos mágicos, cerimonias mágicas’; e a etimologia-raiz "Brixta" e "Brictom", do galo-romano, para designar ‘uma encantadora’ e a prática de ‘encantamento ou encantos’, proveniente das palavras galo-romana, "brixia" ou "vrixia", e grega, "bryx" ou "vryki" ou "bryce", para referir-se aos "Bryxs" ou "Bebryces", isto é, as danaides ou integrantes da pré-helênica "Tribo de Danaans" ou, quando entre os celtas, chamada de "Tuatha-Dé-Danann" (o lendário matriarcal Povo das Fadas, mais conhecidos como Povos Pelasgos ou Povos do Mar, que habitaram principalmente a região da Anatólia, próximo à Bitínia, no Monte Sagrado onde Tubalcain se refugiu, conforme os mitos da Bruxaria Clássica e da Bruxaria Medieval, para fundar a própria Bruxaria). 


Não obstante, descobriram-se, na França, o Tablete de Larzac, uma placa de chumbo onde expõe a etimologia do termo "bruxa" no português e descreve uma maldição ou punição execrativa gravada em 100 d.C. entre dois conventículos de doze Bruxas e uma líder feminina ou alta-sacerdotisa que adoravam a Deusa sob o título de "Adgagsona" — uma corruptela céltico-gaulesa da Deusa "Angerona" ('Ad Angerona'), adorada pelas sacerdotisas do Clã Dionisíaco — e que, os praticantes da Bruxaria, chamavam a si próprios de "Uidluias" (e "Uidlua", no singular) e denominavam o termo "bruxaria" por "Brixtia", na língua francesa. Porém, os termos "Liciati" e "Licina", também presentes no Tablete, não significam "bruxa" ou "bruxaria", mas, sim, 'lecionado' ou 'libertino', isto é, um discípulo ou pessoa liberta da servidão à alta sociedade, a partir do Latim "Licuit" ou "Licitum" e "Licinus" (Romulo, conforme os mitos da Bruxaria Clássica, possuía descendência bruxesca até Aeneas em Alba Longa, onde havia doze companheiros combatentes ou batalhadores de guarda, chamados "Lictores"). 

São Patrick, membro da Igreja Católica Céltica (ou 'Culdee'), da Irlanda medieval, ensinou uma oração Cristã, de caráter anti-pagão e anti-bruxesco, chamada "Eu Me Levanto Hoje: o escudo de são Patrick" (descrita no tópico da galeria: "A Bruxaria e o Glastonbury Tor"), onde Patrick fala em "Leis negras dos pagãos" em uma língua céltica como "Dubrechtu gentliuchtae", "Leis falsas dos hereges" em céltico como "Saebrechtu eretecdae", e "Encantamentos de bruxas e alquimistas ou ferreiros, e dríades ou druidas" em céltico como "Brichtu ban ocus gobann ocus druad"; isto é, a grafia céltica de "leis negras" e de "leis falsas" contém a palavra "brechtu" e, para referir-se às Bruxas em si, a palavra utilizada em céltico é "Brichtu", uma variação etimológica, de modo equivalente ao Tablete de Larzac ("Brictom" ou "Brixta") e ao Tablete de Chamalières ("Brixtia"), levando em consideração que, no irlandês antigo, a palavra "bricht" significa "encantamento ou fórmula mágica" e, no bretão antigo, a palavra "brith" significa "bruxaria ou magia", isso atesta que tais grafias, presentes em línguas célticas, constituíam-se a etimologia comum para os termos "bruxa" e "bruxaria". 

Em ambos os significados semânticos, deste subgrupo de etimologias-raízes, verificamos a presença comum e constante de alusões e referências à sabedoria (conhecer, descobrir, saber, ver) e à magia (fazer rituais mágicos, encantar, lançar encantamentos, engenhar, habilitar, enfurecer ou entrar em estado eufórico, fazer magia). Desta forma, percebemos – neste subgrupo de etimologias-raízes, cujo seu significado tem sido o mais ressaltado na contemporaneidade e, embora, o menos compreendido – a presença comum do verbo ‘saber’ ou ‘conhecer’ e da denotação etimológica de ‘sábia’ ou ‘maga’ atribuída ao termo “bruxa”. Todavia, apenas passamos a compreender, de fato, o significado etimológico denotativo do termo “bruxa” e, bem como, deste penúltimo subgrupo de etimologias-raízes quando entendemos que ‘sábia’ ou ‘maga’ designa a uma mulher que ‘conhece os Mistérios da natureza’. 

A última etimologia-raiz deste último subgrupo de significados semânticos, para concluir, é “Mystikos” e “Mystai”, do grego, que era aplicado a ‘um místico ou iniciado na "Mystíria", isto é, o conjunto de clãs de culto dos mistérios da natureza, cujas práticas religiosas compreendem magia e adoração aos antigos Deuses pagãos' e, não erroneamente, foi devidamente aplicado às “bruxas”, já que estas últimas em sua origem eram as mesmas que os antigos iniciados da "Mystíria" ou Arte dos Sábios. É exatamente nesta última etimologia-raiz, cujo termo é ainda sobrevivente na língua cazaque, que encerra o significado denotativo acerca da semântica de ‘sábia’ evidenciado acima e, por total, a respeito do termo “bruxa”, o qual perpassa entre maga e sacerdotisa de uma antiga religião pagã cujo foco estava calcado nos segredos da fertilidade e na capacidade da natureza manifestar vida e força criativa. 

Assim, pode-se concluir que o termo “bruxa”, nas diversas línguas e dialetos europeus cuja tradução é possível, recebeu ao longo do tempo variados arquétipos populares, dentre os quais aqui evidenciados, foram sete principais: “Viajantes da Noite”, “Alquimistas”, “Fadas”, “Libertinas”, “Rainhas”, “Encantadoras” e/ou, com maior ênfase, “Sábias”. Esses arquétipos atribuídos não se constituem isolada ou separadamente neste contexto, mas, sim, formam um conjunto de características substanciais através das quais o termo “bruxa”, bem como a conotação deste, está intimamente associado. Tal fragmentação etimológica se dá em função de que o surgimento da Bruxaria ocorreu no período magdaleniano, há cerca de 9.500 a.C., o que antecede tanto o aparecimento de registros linguísticos quanto o uso de quaisquer etimologias baseadas em padrões lineares como os atuais. 

Em síntese, o significado denotativo ao termo “bruxa”, tanto no português quanto nas diversas outras línguas e dialetos europeus ou não, constitui-se em ‘uma iniciada (mística) nos Mistérios’ ou ‘adepta da Arte dos Sábios’. Essa religião de segredos era conhecida, no passado, como Bruxaria e seus membros utilizavam, por exemplo, poções enteógenas e unguentos com virtudes mágicas para o voo em espírito, em celebrações festivas durante à noite aos antigos Deuses pagãos mediterrânicos. Porém, na antiguidade tardia, com a oficialização da Igreja Católica no Ocidente, os padres e teólogos passaram a proibir os templos pagãos em geral, atacar os membros de tal culto secreto e chamar às suas práticas como “abominações demoníacas” que deveriam ser exterminadas, como vemos nos escritos teológicos eclesiásticos, de Flavius Iustinus à Titus Flavius Clemens. Mesmo assim, se a Bruxaria resistiu até este estágio da humanidade é porque, de alguma forma, ainda têm algo a contribuir, a partir do legado dos Gênios Antigos e dos Deuses, com o aprendizado e a experiência humana, no âmago mais profundo do ser.

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* = O termo “wiccan” (assim como o verbo "wicciane o denominativo de prática, "wiccecraeft") já era utilizado no Inglês Arcaico em épocas medievais para referir-se às Bruxas, no plural. Consulte o documento Cristão latino da idade média, "Paenitentia", de Halitgar, e os escritos do rei Alfred de Wessex.

Fontes de Pesquisa: