TEONANÁCATL.


Os Cogumelos Sagrados são fungos que nascem naturalmente em esterco de gado e são utilizados em cerimônias e rituais religiosos há milhares de anos por diversos povos e culturas, entre eles os Maias, Astecas e Mazatecas no México.

Pinturas antigas de cogumelos com humanoides que datam de 5000 a.C., foram encontradas em cavernas do planalto de Tassili, no norte da Argélia. Os povos da América do Sul e Central construíam templos aos deuses cogumelos, esculpindo “pedras cogumelos”.

 Os Astecas eram intimamente ligados ao Deus das plantas sagradas. Eles usavam um grande número de plantas enteógenas incluindo os cogumelos mágicos (Teonanácatl). Eles foram usados em rituais e cerimônias e eram servidos com Mel ou chocolate em alguns dos mais sagrados eventos.
São considerados “seres” Sagrados pelos curandeiros Mazatecas e são utilizados somente de forma religiosa como ferramenta para alcançar a compreensão do Universo, contato com seres celestiais e com o “Divino”. O Teonanácatl, se utilizado corretamente, de forma respeitosa e numa cerimônia espiritual, proporciona uma rica experiência mística, no qual podem ocorrer visões de profundo significado.


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OS FUNGOS

Os fungos possuem uma enorme diversidade de aplicações no mundo dos humanos, desde usos na agricultura, alimentação e medicamentos, até usos ritualísticos por diversas culturas. Várias espécies de fungos produzem cogumelos potencialmente alucinógenos, os quais foram e são considerados divindades por povos antigos. Pelo menos doze gêneros de fungos abrigam espécies que produzem a psilocibina, por exemplo, um dos alcalóides ativos mais conhecido e estudado. Grande parte dessas espécies está no gênero Psilocybe, mas outros gêneros como Conocybe, Gymnopilus, Copelandia, Paneolus ePluteus também contém espécies produtoras de compostos psicoativos.

Os Aztecas, povos antigos que viveram em regiões da América Central e do Norte, principalmente no México, foram grandes utilizadores de cogumelos alucinógenos em seus rituais sagrados e também como instrumento de cura. O notório pesquisador Richard Evans Schultes, que desenvolveu diversos estudos sobre plantas enteógenas, descreveu em um de seus estudos, datado de 1940, o uso de plantas psicoativas por povos indígenas mexicanos. Dentre as espécies citadas por Schultes estão o peiote (Lophophora williamsii), ololiuqui (Rivea corymbosa) e um cogumelo, chamado por eles de Teonanacatl, o que na língua indígena dos povos Aztecas significa a “carne dos deuses”. O teonanacatl seria, primariamente, o cogumelo da espécie Paneolus campanulatus, o qual era utilizado por esses povos em rituais de dança e meditação. Mas outras espécies de cogumelos também são denominadas assim, devido a serem consideradas como organismos divinos por essas tribos ancestrais.

Assim como o peiote e ololiuqui, o uso do teonanacatl aparece nos relatos de colonizadores espanhóis desde meados dos anos 1550. O cogumelo divino dos Aztecas, que foi demonizado pelos missionários cristãos, era utilizado por curandeiros para servir de porta de comunicação com os espíritos da natureza, os quais permitiam a identificação dos males e doenças das pessoas, que eram evidenciados nas visões dos curandeiros ao ingerirem o cogumelo. Outras evidências ancestrais de uso de cogumelos são encontradas na Guatemala, onde estátuas de pedras esculpidas na forma do píleo dos cogumelos datam de três mil anos atrás.

O gênero Psilocybe é um dos mais conhecidos por suas espécies produtoras de psilocibina e outros alcaloides psicoativos. Dentre as espécies deste gênero, destaca-se Psilocybe azurescens, sendo a espécie mais notável em termos de acumulação de alcaloides, podendo chegar a mais de 2% de massa seca em psilocibina. Nativa da costa oeste dos Estados Unidos, esta espécie ocorre apenas em uma pequena área em planícies no delta do rio Columbia, no estado de Washington, sendo assim uma espécie endêmica daquela região. Outra espécie norte-americana é Psilocybe cyanescens e ambas parecem concentrar uma quantidade considerável de alcaloides. Algumas teorias correlacionam a localização geográfica das espécies de cogumelos com sua maior produção de alcaloides, podendo ser uma resposta do fungo à uma determinada condição ambiental de seu habitat, como por exemplo uma defesa contra um predador.


ORIGEM

Os cogumelos alucinógenos eram usados no México, Guatemala e Amazonas em rituais religiosos e por curandeiros. Os Maias utilizavam um fungo ao qual chamavam, na língua nahuátl, teonanácatl (a "carne de deus") há já 3500 anos. No seu território foram encontradas figuras de pedra com representações de cogumelos datadas de 1000 a.C. e 500 d.C. Em Oaxaca eram também chamados de nti-si-tho, sendo que nti é um diminuitivo de respeito e carinho e si-tho significa "o que brota".

As primeiras referências ao seu consumo foram encontradas em livros (1502), nos quais era mencionado o uso de cogumelos em rituais nas festas de coroação de Moctezuma, o último imperador Azteca. Os conquistadores espanhóis, não preparados para os efeitos da droga, assustaram-se e proibiram o uso de fungos alucinogêneos e a religião nativa. Foram também encontrados registos do médico do rei espanhol a relatar a ingestão de cogumelos pelos indígenas, por forma a induzir visões de todo o tipo, sendo estes muito apreciados em festas e banquetes. Após a conquista, o consumo de cogumelos com fins rituais e terapêuticos sobreviveu apenas na Serra de Oaxaca.

Provavelmente, o cogumelo alucinogêneo mais popular é o Amanita muscaria, descrito por Lewis Carroll no livro Alice no Pais das Maravilhas. Este cogumelo é usado há mais de 6000 anos, sendo, por vezes, confundido com variedades muito semelhantes mas letais. Os povos primitivos da Sibéria tinham o hábito de armazenar a urina de consumidores de Amanita, usando-a como droga alucinogênea. Isto verificava-se porque as substâncias alucinogêneas deste cogumelo permanecem intactas após a sua passagem pelo organismo.

Durante os anos 70, os cogumelos aparecem também na Europa, sendo inicialmente utilizados em sopa instantânea. Os genuínos cogumelos psilocibina secos só surgiram mais tarde.

O químico suiço Albert Hofmann que descobriu o LSD, foi também o primeiro a extrair psilocibina e psilocina dos cogumelos mágicos. A psilocibina, que é convertida em psilocina pelo organismo humano, é a responsável pelos efeitos alucinógenos da planta.


EFEITOS

Os efeitos dos cogumelos parecem estar associados às condições psicológicas e emocionais do consumidor, assim como ao contexto em que esse consumo se verifica. São semelhantes ao LSD mas menos intensos e duradouros.

As primeiras reações começam por ser de carácter físico: náuseas, dilatação das pupilas, aumento do pulso, da pressão sanguínea e da temperatura. Se ocorrer ansiedade e vertigens, estas deverão desaparecer no período de uma hora. Para além disso, o consumidor poderá sentir um aumento da sensibilidade perceptiva (cores mais intensas, percepção de detalhes) com distorções visuais e sinestesia ou mistura de sensações (os sons têm cor e as cores têm sons), acompanhadas de euforia, sensação de bem-estar, aumento da autoconfiança, grande desinibição e aumento do desejo sexual. Os efeitos alucinogêneos podem acarretar alguma desorientação, ligeira descoordenação motora, reações paranoicas (bad trips), inabilidade para distinguir entre fantasia e realidade, pânico e depressão. Os efeitos começam a surgir cerca de 25 a 30 minutos após a ingestão e podem durar até 6 horas.

RISCOS

O consumo de cogumelos pode provocar dores no estômago, diarreia, náuseas e vômitos. Pode também piorar problemas a nível de doenças mentais ou mesmo despoletá-las. Uma outra consequência desta droga poderão ser acidentes originados pela interpretação incorreta da realidade.

Existem cogumelos venenosos que podem ser muito tóxicos ou até letais. A Amanita é uma droga muito perigosa, sendo atualmente responsável por 90% dos casos fatais de envenenamento por fungos. O uso prolongado desta espécie poderá levar à debilidade mental.