Artes Divinatórias I.


 ACULTOMANCIA - adivinhação por meio de agulhas. Para saber o número de inimigos que tens, deve-se colocar vinte e cinco agulhas num prato, cuidando que nenhuma delas se cruze.Depois verte-se água encima de uma altura prudente e todas as agulhas que fiquem cruzadas marcarão o número de inimigos.

 AEROMANCIA - Adivinhação pelos fenômenos aéreos. É um ramo da astrologia, e a teratoscopia é uma divisão desta ciência. Os presságios são deduzidos a partir da interpretação dos espectros que aparecem nas nuvens. Francisco de La Torre-Blanca diz em seu Epit. Deliet sive de Magia (liv. I. cap. 20), post. Pictorium et Psellum, que a aeromancia é a arte de predizer, fazendo aparecer espectros no ar ou representando, valendo-se de demônios, os acontecimentos futuros numa nuvem como se fosse uma lanterna mágica.

 ALECTRIOMANCIA - A arte de adivinhar por meio de um galo. A operação é feita da seguinte maneira: traça-se um círculo com carvão, dividindo-o em 24 porções iguais e colocando em cada qual uma letra do alfabeto. Um grão de trigo ou de milho em cada divisão e solta-se um galo que começará a bicar os grãos. Anotam-se as letras correspondentes e assim se obtêm as palavras sobre o que se quer saber.

Os adivinhos, querendo saber quem seria o sucessor de Valentiniano, empregaram a alectriomancia, e o galo tirou as letras Teod. Quando soube do fato, Valentiniano mandou matar todos os adivinhos e personagens importantes que tivessem os nomes assim começados. Apesar dos seus esforços o cetro passou às mãos de Teodósio, o Grande.

 ALEUROMANCIA - É um meio de adivinhação através da farinha. Coloca-se uma onça de farinha numa vasilha com água e mexe-se de vez em quando, dizendo estas palavras: abi ab incantamento venefico. Quando a farinha estiver depositada no fundo do vaso, tira-se o líquido e coloca-se a farinha úmida em um prato novo de estanho. Depois, dizendo as mesmas palavras citadas acima, retira-se a pasta e coloca-se ao sol, das 11 horas ao meio-dia e meia. Então, quase seca, a farinha mostrará certo número de linhas salientes ou côncavas, formando diversas figuras, cuja leitura fornecerá ao consulente o que quiser saber. A maneira de se ler está exposta no verbete cafeomancia.

 ALFITOMANCIA - Adivinhação muito antiga por meio do pão de cevada. Quando nossos antepassados queriam conhecer o culpado, entre vários acusados, faziam cada um comer um tosco pedaço de pão de cevada. Quem o digerisse facilmente era inocente, mas o culpado era descoberto porque não conseguia engolir. Este procedimento empregava-se também nos chamados juízos de Deus, de onde vem este ditado popular- “Que eu me engasgue com este pedaço de pão se estou mentindo!”.

 ALOMANCIA - Adivinhação por meio do sal. 0 sal foi considerado em todos os tempos como uma coisa sagrada. Entre os romanos era um mau presságio para o hóspede se algum convidado dormia sobre a mesa antes que tivessem retirado os saleiros. Hoje em dia, muitas pessoas consideram como um presságio funesto derramar sal na mesa ou fora dela, quando se está comendo. Para conjurar os maus efeitos que tal fato possa produzir, os entendidos dizem que se deve tomar um pouco do sal derramado com a ponta da colher e jogá-lo ao ar, por trás do ombro esquerdo, dizendo estas palavras: “Satanás, eis aqui a tua parte! Maldito seja; some!".

Os cristãos também empregam o sal, em algumas cerimônias religiosas, como símbolo de sabedoria.

 AMNIOMANCIA - Arte de adivinhar através da membrana que cobre algumas vezes a cabeça dos recém-nascidos. Esta palavra vem do grego âmnios, nome dado pelos médicos à membrana. As parteiras costumavam adivinhar a sorte da criança pelo exame desta membrana: seria feliz se fosse vermelha, e desgraçada se fosse cor de chumbo. Os advogados antigos compravam estas pelicas por preços altos, acreditando que com elas teriam mais sorte em suas causas. Desta crença deriva o provérbio "nasceu empelicado", usado para o homem que tem sorte.

 APATOMANCIA - Adivinhação por meio das coisas que se vêem na hora. A este gênero de adivinhação pertencem os presságios, fundados no encontro de uma lebre, a passagem de uma águia no ar etc.

 BELOMANCIA - Adivinhação através de flechas muito usada por todos os povos da antiguidade. Dificilmente se empreendia uma expedição guerreira sem antes consultar os augúrios belomânticos. Na atualidade o processo ainda é usado pelos árabes, que empregam três flechas com três inscrições diferentes: colocadas num saco, a primeira que for tirada dá a resposta pedida.

 BIBLIOMANCIA - No princípio foi usada para esclarecer os casos duvidosos com respeito à culpabilidade ou inculpabilidade das pessoas envolvidas em processos de bruxaria. A prova era feita assim: colocava-se o suspeito num dos pratos de uma grande balança. No outro, a Bíblia. Se o peso da pessoa fosse maior do que o do texto, ela era culpada. Por este processo podemos ver que por mais volumosa que fosse a Bíblia, o sujeito nunca era inocente.

Também recebeu o nome de bibliomancia um sistema adivinhatório que consiste em repassar as folhas de uma Bíblia com uma agulha de ouro e tomar a primeira palavra escrita na página que fique a descoberto. A repetição de tal processo permite a construção de frases de sentido mais ou menos direto e compreensível, que formarão a profecia. Existe, também, um meio mais simples, que é o de abrir o livro ao acaso e procurar a resposta para o que se pretende na primeira frase em que o consulente puser os olhos.

 BOTANOMANCIA - Adivinhação por meio dos ramos e folhas de verbena e outros vegetais que foram muito usados na antiguidade. Uma das maneiras mais usadas que chegou até nossos dias, e que ainda se pratica, consiste em observar a direção que as folhas das árvores tomam quando arrastadas pelo vento, deduzindo daí as respostas para o consulente.

 BRIZOMANCIA - Nome que se costuma dar à arte de interpretação dos sonhos. Vem de brizo, deusa do descanso natural.

  CAFEOMANCIA - Os preparativos para se ler o futuro nos restos do café são muito simples: deixa-se depositar no fundo da cafeteira a borra do café, tendo-se o cuidado de retirar todo o líquido. Uma hora depois coloca-se um copo d'água na cafeteira e leva-se ao fogo para esquentar até que a borra se separe da água. Toma-se um prato de louça bem seco ao fogo e, depois de mexer a borra com uma colher, despeja-se nele certa quantidade, de modo que não ultrapasse a metade. Agita-se o prato com a maior rapidez possível em todas as direções durante um minuto e depois joga-se todo o conteúdo num outro recipiente. No prato ficarão apenas restos e partículas de café espalhados de tal maneira que formam uma multidão de caracteres hieroglíficos. Curvas, círculos, ondulações, quadrados e outras figuras que deverão ser interpretadas. Se o número de círculos, por exemplo, mais ou menos perfeitos, sobrepujar as outras figuras, anuncia que a pessoa receberá dinheiro. Se os círculos são poucos, receberá urna quantia pequena. As figuras quadradas significam desgostos na proporção do seu número. As ovais prometem êxito nos negócios, quando bem definidas. Linhas grandes ou pequenas, quando salientes ou múltiplas, pressagiam uma velhice feliz, mas se são em pequena quantidade indicam necessidades e escassez de fortuna. As ondulações ou linhas que serpenteiam anunciam desgraças e sortes entremeadas. Se terminarem docemente, prometem a felicidade depois de alguns pesares. Uma cruz no meio dos desenhos do prato significa uma morte feliz. Quatro cruzes que quase se tocam anunciam que o consulente morrerá entre os 40 e 45 anos, se for mulher, e 48 e 52, se for homem. Três cruzes é sinal de sorte. Se forem muitas, o consultante será religioso depois do ímpeto das paixões e se atormentará com austeridade em sua velhice. Um triângulo promete um emprego honroso, e três, a pouca distância um do outro, são sinal de fortuna. Geralmente esta figura é um bom pressagio: em numero pequeno significa alguma honra. Em grande número, dinheiro. Um ângulo composto de uma linha curta apoiada sobre outra comprida é indício de uma morte desgraçada. 

Um círculo de muitas faces, quer dizer, composto de muitos ângulos planos e reunidos, pressagia um casamento feliz. Um retângulo bem distinto é um indício certo de discórdias domésticas. Se estiver rodeado de cruzes, a mulher deixará o lar, com alguma infidelidade. Se forem ângulos, será o marido. Se entre os desenhos do prato se vê uma linha de duas ou três polegadas, menos carregada que o resto das figuras indica viagem. Será longa se a linha se estende. Fácil, se estiver limpa, e perigosa, se estiver atravessada por outras linhas e pontinhos. E se sobressai do fundo do prato, a viagem será a um país estrangeiro.

Um círculo onde se encontrem quatro pontos bem marcados promete um filho. Dois círculos prometem dois, e assim sucessivamente. Se o círculo for quase perfeito, o filho será varão, e mulher se for imperfeito. Se um dos círculos que encerram quatro pontos estiver acompanhado de uma linha curva e ondulante, é presságio infalível que o filho esperado terá talento. E se esta curva forma um segundo círculo, ao redor do qual se enrosca, pode-se ter certeza de que o filho será um gênio de talentos privilegiados.

Se encontrar no prato a figura de uma casa ao lado de um círculo, o consultante pode ter certeza de que terá uma. O desenho de um quadrúpede promete miséria e pesar. O de uma ave, fortuna e lance feliz. A figura de uma cobra ou qualquer outro réptil anuncia uma traição. A forma de uma rosa promete saúde. E assim uma série de traços, figuras, desenhos e outros sinais que compete ao leitor decifrar com sensibilidade e atenção.

 CAPNOMANCIA - Adivinhação por meio da fumaça. Queimavam-se algumas ervas mágicas e o augúrio era obtido pela observação da direção que tomava a fumaça.

CARTOMANCIA - Hoje em dia está muito difundido o costume de se ler o futuro através das cartas. Mas esta arte data do século 12. A origem dos naipes é uma questão de arqueologia muito difícil de ser resolvida, apesar de ter sido tratada com seriedade por muitos sábios. Não há dúvida de que as cartas vieram do Oriente, assim como o xadrez, pois existe entre os dois uma semelhança que não pode ser atribuída ao acaso.

Os naipes iluminados como os manuscritos eram antigamente muito caros. Em 1470, por exemplo, Visconti, duque de Milão, pagou mil e quinhentas peças de ouro a um pintor francês por um jogo de cartas. 0 descobrimento da gravação em madeira propagou por toda a Europa os jogos de cartas. Existem métodos inumeráveis para se lerem as cartas, mas citaremos apenas os mais comuns; para este jogo adivinhatório utilizam-se 32 cartas que são: ás, rei, valete, dama, dez, nove, oito e sete nos naipes de ouros, copas, espadas e paus.

De ouros - Ás: gozo, dinheiro, êxito e boas notícias, quando na posição certa; ao revés, gozo de curta duração. Rei: homem leal e potente; ao revês, homem de boa vontade, mas cheio de contrariedades. Dama: mulher honrada, amorosa e suscetível; ao revés, mulher zelosa e muito cortesã. Valete: enamorado e galanteador; ao revés, embusteiro. Dez: fortuna, êxito e honras; ao revés, debilidade. Nove: dinheiro inesperado e triunfo amoroso; ao revés, presente de pouca importância. Oito: solução vantajosa; ao revés, dificuldades nos empreendimentos. Sete: amores contrariados, cobrança de uma conta esquecida; ao revés, pequeno débito coberto. De copas - Ás: carta amorosa e notícia satisfatória; ao revés, visita de amigo. Rei: homem franco e leal; ao revés, homem avarento e obstáculo imprevisto. Dama: mulher amorosa; ao revés, mulher que oferece obstáculos a um casamento. Valete: militar, ou jovem alegre e simpático; ao revés, militar zeloso ou rejeitado. Dez: gozo, triunfo, surpresa; ao revés, ligeira inquietação. Nove: êxito e satisfação; ao revés, temor pássaro. Oito: triunfo no amor; ao revés, indiferença. Sete: matrimônio e paz no coração; ao revés, angústias.

De espadas - Ás: carta ou notícia próxima; ao revés, notícia desagradável. Rei: militar ou camponês perigoso; ao revés, perigo iminente, discussão com amigo. Dama: camponesa maledicente; ao revés, danos produzidos por calúnia. Valete: notícias mal interpretadas por um mau servidor ou militar de má conduta; ao revés, más notícias. Dez: viagem; ao revés, má viagem. Nove: atraso e contrariedade; ao revés, distúrbios amorosos ou de família. Oito: proteção, êxito nos amores; ao revés, intentona inútil. Sete: boa notícia; ao revés, tagarelice de criança.

De paus - Ás: triunfo e prazer; ao revés, tristeza e má notícia. Rei: homem perverso ou magistrado venal; ao revés, impotência do malvado, processo perdido. Dama: viúva ou mulher abandonada; ao revés, mulher perigosa e equívoca que deseja casar-se novamente. Valete: jovem de má conduta; ao revés, jovem que medita uma traição. Dez: empresa fracassada, prisão ou desgraça; ao revés, prisão passageira ou de pouca duração. Nove: atraso, obstáculo, morte; ao revés, perda de um parente. Oito: doença próxima, má notícia; ao revés, matrimônio fracassado. Sete; penas de pouca duração; ao revés, intriga sem importância.

 CATROPTOMANCIA - Adivinhação que se pratica por meio dos espelhos. Por arte e poder dos conjuras, o diabo faz aparecer neles a pessoa e os objetos que se deseja ver. No passado, as bruxas usavam este processo para saber onde estavam escondidos os autores de furtos e mortes. Hoje as ciências ocultas nos falam dos espelhos mágicos como maneira eficaz para investigar o distante e o desconhecido.

   CAUSINOMANCIA ou PIROMANCIA - Adivinhação pelo fogo. Na Antiguidade, quando as chamas não consumiam os objetos ou coisas combustíveis nelas lançados durante os sacrifícios sagrados, a oferenda era considerada como bem recebida e de bom presságio.


 CEFALOMANCIA - Emprega-se esta arte para um as dúvidas que caem sobre um suspeito de crime. Assava-se uma cabeça de asno sobre brasas evocando os gnomos em alta voz e perguntando se o suspeito era ou não culpado. Se as mandíbulas e a cabeça do asno permanecessem quietas, era indício de que o fato foi fortuito. Caso contrário, o sujeito era culpado.

 CERAUNOSCOPIA - Adivinhação que os antigos, praticavam pela observação dos raios e dos relâmpagos e dos trovões, assim como de outros fenômenos do ar.

 CEROMANCIA - Liquefaz-se cera virgem enquanto se invocam as salamandras, formulando em seguida as perguntas desejadas. Finalmente, derrama-se o líquido sobre madeira lisa molhada com água lustral. Ao solidificar-se, a cera formará uma série de figuras cabalísticas a serem interpretadas como respostas.

 CHAOMANCIA - Arte adivinhatória baseada nos sinais oferecidos pelo ar. Desconhecem-se os detalhes de tal sistema, mas parem constituir-se num segredo possuído por alguns alquimistas, que o aludem com freqüência, mas sem dar maiores explicações.

  CLEDONISMANCIA - Sistema adivinhatório baseado nas frases que chegam primeiro aos nossos ouvidos, quando estamos preocupados com um assunto que nos parece duvidoso.

 CLEIDOMANCIA - Esta arte, como outras, é o julgamento de Deus para as multidões. É preciso saber quem fez isto ou aquilo? Escreve-se o nome do suspeito num pedaço de papel e enrola-se numa chave que deve ficar pendurada por um pedaço de fita que sai das folhas de uma Bíblia. Uma virgem toma o livro nas mãos e o consultante grita em voz alta o nome escrito no papel. Se a chave girar, o fato suposto é real.

 CLEROMANCIA - Maneira de pressagiar que consiste em ajuntar numa caixinha diversas fichas pretas e brancas, ou dados. Lançados sobre uma mesa formam figuras a serem interpretadas.

 DACTILOMANCIA - Traça-se sobre uma mesa um círculo ao redor do qual estejam escritas as letras do alfabeto. 0 consultante toma com sua mão esquerda um fio de seda que serve de prumo amarrado num anel previamente consagrado. Apóia-se o coto velo na mesa, fora do círculo, faz-se a invocação das sílfides e formulam-se as perguntas que se quiser. Então o anel, segundo a vontade dos gênios, saltará de uma letra para outra formando as respostas oportunas.

 DAFNOMANCIA - Sabe-se que o loureiro é uma arvore sagrada e que produz efeitos opiáceos. Para se praticar a dafnomancia existem dois processos. Um consiste em dar a uma virgem folhas de louro par, mastigar, a fim de se congraçar com os deuses, vindo estes, por seu intermédio, contestar as perguntas que forem feitas. 0 segundo consiste em lançar ao fogo uma rama de loureiro, fazendo-se as perguntas ao mesmo tempo. Se as folhas se queimarem, é um resposta afirmativa. 0 contrario e a negação

 EROMANCIA - Um dos seis sistemas de adivinhação que eram mais freqüentes entre os persas. Consiste no seguinte: o consultante tapa sua cabeça e rosto com um pano e segura nas mãos uma vasilha com água. Então formula seu desejo ou sua pergunta. Se a água lhe parecer que está fervendo, é prognóstico de que as coisas sairão bem.

 FISIOGONOMIA -  Adivinhação de caráter pelas formas do rosto.

  GASTROMANCIA - Adivinhação por meio do estômago. Na Idade Média, alguns feiticeiros conheceram a arte de evocar os demônios e fazê-los penetrar em seu estômago, de onde respondiam às perguntas formuladas, sem que o endemoniado movesse os lábios.

  GEOMANCIA - palavra composta por Geo, do grego, Terra, e por mancia, também do grego, manteia, adivinhação, ou divinação. Divinação, por sua vez, vem do latim divinale, divino. Ou seja, em sua origem, divinação, ou adivinhação, era algo associado à Divindade, que tudo sabia do passado, do presente e do futuro. Por isso, em seus primórdios, os resultados das práticas divinatórias e os oráculos eram considerados manifestações de divindades, que respondiam a questões que angustiavam seres humanos. Essas consultas aos deuses quase sempre eram realizadas em locais consagrados a uma divindade específica. A geomancia, que surgiu em tempos remotos, possivelmente tenha esse nome não apenas por interpretar marcas feitas no solo, na terra, mas por ser uma das formas de consulta à Divindade da Terra - ou Espírito da Terra.

 GEROMANCIA - Esta adivinhação fundamentava-se no exame das vísceras das vítimas. Os que a praticavam eram chamados de arúspices, e o grande Cícero foi um dos que desempenharam esta função.

 GRAFOLOGIA - Sistema de conhecimentos pertencente ao quadro das ciências ocultas, que, pelo exame da forma de um escrito, deduz as tendências principais caráter e inclinações - do indivíduo que o fez.

Para proceder assim, a arte grafológica se baseia ou se fundamenta no fato de que, gerando o pensamento da pessoa que escreve, movimentos fisiológicos mecânicos em seu organismo - em perfeita consonância com o seu modo de ser e de proceder -, a escritura, ou melhor, a materialização indelével do caráter do indivíduo, não pode deixar de refletir ao menos o estado psicológico da alma no momento em que escreve; é portanto um reflexo fiel dela.

 HIDROMANCIA - Adivinhação por meio da água. Suspendia-se um anel, amarrado na ponta de uma linha, sobre a vasilha com água. Se o anel se chocava várias vezes contra a parede do vaso, era sinal de que o consultante teria êxito na sua empresa. Outros processos também eram usados, como a observação do movimento do mar, dos rios e muitos outros.

 ICHTHYOMANCIA - Antigo sistema de adivinhação baseado na interpretação de certos sinais observados nas entranhas dos peixes. 0 célebre Homero fala deste processo que caiu no esquecimento nos tempos de Roma.

 LAMPADOMANCIA - Adivinhação por meio das lâmpadas ou lamparinas, nas quais se observam o movimento, a forma e a cor da chama.

  LEBANOMANCIA - Os gregos e os romanos dedicavam-se a esta espécie de adivinhação, lançando certos perfumes a um braseiro colocado no altar da divindade que presidiria a operação. Brotava uma labareda mais ou menos densa, que ao levantar-se tomava formas análogas a certas coisas conhecidas, e cuja configuração determinava o conteúdo das palavras augurantes.

 LECANOMANCIA - Maneira de predizer o futuro por meio da água, do ouro e de pedras preciosas. Num vaso de mármore, cheio de água e fixo num altar, o consultante colocava lâminas de ouro e pedras preciosas, nas quais tinha gravado antecipadamente caracteres mágicos como os do Zodíaco, ou signos planetários. Então, por meio do livro mágico, do qual recitava algumas palavras terríveis, obrigava os demônios a responder ao consultante. Do fundo da vasilha ouvia-se um silvo semelhante ao de uma serpente.

  LITOMANCIA - Adivinhação por meio de pedras que se obtém fazendo com que batam umas contra as outras para deduzir sinais pela intensidade e timbre do som.