Princh.


"Alexander Cold acordou ao amanhecer sobressaltado por pesadelo. Sonhava que um enorme pássaro preto se atirava contra a janela com um fragor de vidros estilhaçados, entrava em casa e levava a sua mãe. No sonho, ele observava impotente como o abutre gigantesco agarrava em Lisa Cold pela roupa, com as garras amarelas, saindo pela mesma janela partida e desaparecendo em um céu carregado de grandes nuvens negras. Acordou com o barulho da tempestade, o vento fustigando as árvores, os relâmpagos e os trovões. Acendeu a luz com sensação de estar num barco à deriva e aconchegou-se com um cão enorme que dormia ao seu lado. Calculou que a poucos quarteirões da sua casa, o oceano Pacífico rugia, agigantando em ondas furiosas contra a muralha. Ficou a ouvir a tempestade, a pensar no pássaro preto e na sua mãe, esperando que acalmasse o bater de tambor que sentia no peito. Estava ainda nele as imagens daquele pesadelo." (A cidade dos deuses selvagens)