Baphomet.


Baphomet é uma criatura simbólica ambivalente com cabeça de bode, touro ou chacal e corpo humano; simboliza o bem e o mal, a luz e as trevas, o céu e a terra, o feminino e o masculino. Foi considerado um demônio uma vez que esse símbolo está associado às ciências ocultistas, à magia, à alquimia, à bruxaria, ao satanismo e ao esoterismo.

Origem de Baphomet
Quanto à sua origem, há controvérsias sobre Baphomet, no entanto, textos do século X indicam sua formas e as características dessa figura enigmática. Além disso, pesquisadores afirmam que ele está relacionado com muitos deuses pagãos das mitologias e lendas do Egito, da Índia, de Celta, da Grécia, dentre outras.

Baphomet e o Cristianismo
No cristianismo, Baphomet é considerado um demônio, uma criatura diabólica, visto que possui chifres como o diabo (satanás), representado, dessa forma, as forças do mal.

Baphomet e os Templários
Baphomet foi uma divindade adorado pelos Templários (Ordem dos Cavaleiros do Templo ou Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo), e, no século XIV mediante ordens do Papa Clemente V, iniciou-se uma cruel perseguição contra a Ordem, uma vez que para o Igreja, a criatura adorada por eles tratava-se de um demônio, um deus pagão.

Baphomet e a Maçonaria
A despeito da Maçonaria não haver qualquer tipo de adorações às imagens ou culto aos deuses, Baphomet está associada com o símbolo de experiência uma vez que sua simbologia somente é revelada àqueles que possuem um alto nível. Curioso notar que para alguns, esse símbolo não corresponde à maçonaria, como podemos notar na obra do escritor e advogado estadunidense Albert Pike (1809-1891), “Motal e Dogma” (Morals and Dogma).

"É absurdo supor que homens de intelecto adoravam um ídolo monstruoso chamado Baphomet, ou reconhecido Maomé como um profeta inspirado. Seu simbolismo, inventado séculos antes, para esconder o que era perigoso confessar, foi , naturalmente, mal interpretado por aqueles que não eram adeptos, e aos seus inimigos pareciam ser panteísta. O bezerro de ouro, feito por Aarão para os israelitas, foi apenas um dos bois sob a camada de bronze, e o Karobim no Propiciatório, incompreendido. Os símbolos dos sábios sempre se tornam os ídolos da multidão ignorante. O que os chefes da Ordem realmente acreditavam e ensinavam, é indicado para os Adeptos pelas sugestões contidas nos altos graus da Maçonaria, e pelos símbolos que só os Adeptos entendem."

Baphomet e Eliphas Lévi
Segundo o mago ocultista francês, Alphonse Louis Constant (1810-1875), conhecido por seu pseudónimo Eliphas Levi, em sua obra “Dogma e Ritual da Alta Magia” (Dogmes et Rituels de la Haute Magie) desenhou a representação de Baphomet e suas características, lendas e simbologias:

"O bode que é representado no nosso frontispício, traz na fronte o signo do pentagrama, com a ponta para cima, o que é suficiente para fazer dele um símbolo de luz; faz com as mãos o sinal do ocultismo, e mostra em cima a lua branca de Chesed e embaixo a lua preta de Geburah. Este sinal exprime o perfeito acordo da misericórdia com a justiça. Um dos seus braços é feminino, o outro é masculino, como no andrógino Khunrath, cujos atributos tivemos de reunir aos do nosso bode, pois que é um único e mesmo símbolo. O facho da inteligência que brilha entre seus chifres é a luz mágica do equilíbrio universal; é também a figura da alma elevada acima da matéria, como a chama está presa ao facho. A cabeça horrenda do animal exprime o horror do pecado de que só o agente material, único responsável, deve para sempre sofrer a pena: porque a alma é impassível por sua própria natureza, e só chega a sofrer, materializando-se. O caduceu, que está em lugar do órgão gerador, representa a vida eterna; o ventre coberto de escamas é a água; o círculo que está em cima é a atmosfera; as penas que vem depois são o emblema do volátil; depois, a humanidade é representada pelos dois seios e os braços andróginos desta esfinge das ciências ocultas. Eis dissipadas as trevas do santuário infernal, eis a esfinge dos terrores da Idade Média adivinhada e precipitada do seu trono; 'quomodo cecidisti, Lúcifer'? O terrível Baphomet não é mais, como todos os ídolos monstruosos, enigmas da ciência antiga e dos seus sonhos, senão um hieróglifo inocente e até piedoso."

Considerado um dos maiores ocultistas do século XIX, Lévi aponta que o nome “Baphomet”, associado aos templários, corresponde a uma abreviação cabalística, (Tem Ohp Ab) de “Pactos Templi omnium hominum pacis abbas” que significa “o pai do templo da paz de todos os homens”.