Quando pára o coração.


QUANDO PÁRA O CORAÇÃO
RICARDO BRANCO

A boca engole o dia
Que esconde a noite
Que corre, corre, corre
Pra perto de mim

Não é segredo que se absorve
Nem se observa de dentro da alma
Pelo olho que conduz ao desejo
Aquilo que se consagra no toque aguarda
O silêncio norte que direciona
A verdade que acusa o cérebro
Nem tardio ou sem rumo assenta-se
Depois de vestir-se em caminhada

Cada um sabe onde 'on the rocks'
Sinceridade não séria dói
Porque o que se adapta, rapta, cede
É comoção
E a sensação do verbo é sede,
Substantivo consistente
Volumosa paixão

Do afago que se sente
E remete pra qualquer lado um coração que se ressente
Um pedaço de gente em dois
Metade lá e outra não
Vivendo feliz como se faz quente
Add cionando fogo em tudo que feel trar de bom

Submeter valor à conquista
Submergir aliterações à escrita
Torpedear emoções
Em veias, em sangue
Implodindo corações amenos
Suturando sentimentos e soprando ventos
Quem constrói cataventos
Se mapeia
Situa
Cita

Sonhar como se come a maçã
Beber você ao pensamento
E à digestão vangloriar-se de boa refeição e farto tempero
Dividindo a solidez
De mais de um dia: um mês

A boca que engole o dia
Esconde a noite
Que corre, corre, corre
Pra perto de mim
Pra dentro de mim
Pro que ficou pra trás acordado