Pensares Kabukis.


PENSARES KABUKIS
RICARDO BRANCO

A grande arte da vida é sorver um tanto da fonte do conhecimento depois que a boa parte das experiências foi tida na ponta do lápis como boa lição. Pro amor, entretanto, não há lição que baste, quando é a repetição aleatória e mesmo repetitiva que faz do mesmo, duplamente, a experiência.

E pra você que já foi ou que está por vir, além de um tanto ou um quase nada que, no momento, acontece. Para os que ficam, aconchego. E há ainda aqueles que vivem por perto-longe observando longe-perto aquilo que não mais desejam. Estranho não é o desamor, mas o excluir-se de tudo o que já foi registrado.


Ainda assim é da noite que o segredo invade e a alma espalha o cheiro do tempo. É que pela noite, findo o dia, já escurece os olhos de quem só sente o sopro do vento que traz de longe o alento de quem não está por perto pra ser amor. Amor é como romã: casca resistente para o alcance de poucas sementes, cujo gosto chega a ser duvidoso.