Memórias Póstumas de um Adoçante.


MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE UM ADOÇANTE
RICARDO BRANCO

Pode-se até estar saturado do mundo
Fatigado fazedor de qualquer
Coisa pouco criativa
Imitação ridícula da realidade

Mas o cubo de açúcar é um deus
Na imensidão da xícara de café onde repousa
Enquanto não fosse a morte rancorosa
Diluída em ideias de tenro equilíbrio

Sacudidelas o espalhariam rogado
Em largas ondulações através do doce pensar
Frente ao mel
Ternura e melodia
Adoçante polidez que espeta
Adversa à condução de sua energia

Aproximando ao doce a aceitação do gosto fel
De todo dia lembranças em memórias se fatiam
Como um pedaço do bolo
Que não foi cortado
Guardado decoro para os próximos aniversários
Somando velas e soprando verdades

Os sonhos?
Nuvens que se deliciam em refúgios de algodão doce
Para os diabéticos full love, crueldade
Do adoçante cerceado pensamento
Para a vital recarga sem lamento

Quando vivo
Deleite condensado
Em morte
Devaneio aferventado
Como a dilatação da forma que nunca foi
Colos maternos afogam mágoas desse alento
Em leite azedo, amargo sentimento
Quando se pousa
Palavras estranhas
Pesando a mão que adoça a vida