Eco.


ECO
RICARDO BRANCO

Notoriamente quem já amou esqueceu-se da ida
Dor de partida
Isolamento de quem fica
Quando em outra chegada
Parecia-lhe melhor aos olhos
Conforto do abraço em novo sentimento
Trairá o desgaste da despedida

Quem já amou sabe do vácuo que se estabelece
Entre o tudo que fica
E o antes que ainda acontece
E se desorganiza como desenhos que decalcam mãos
Também já se faz de cama pronta
Afeição em altas horas sob luz de lua nova
Aquece mudo o toque não suspirado

Os amantes
Por sinal em sua maioria
Ainda não têm o costume do sussurro em sua maestria
Gemer não é sussurrar palavras doces de harmonia
Quem já amou sabe que sussurro é conversa de pé de ouvido
Que declara o gozo em poesia
Como uma confissão de um pecado arredio

Quem já amou não geme, dialoga
E fotografa os momentos em imagens que se demoram
Projetam-se diante dos olhos insistentes
Assim
Gozam completamente o que foi descoberto
Relembrando cada detalhe apreciado
Incógnita do acerto

E se forjar provas
Como de certo já provou
Amando mesmo
Melhor morrer
Do que agredir-se em fiel retalho

No ouvido de quem escuta
Cai de leve a pluma solução
Repetição de off pensamentos e perdão
Delícia, apreensão e sublimação do prazer

Full mood intolerante
Resgate beat, slow dance
Close caption do que não mais se vê
Quem amou apalpa o ar
Filtra-se e aconchega o saber
Porque de tempo em tempo
Por prazer
Sabe a dimensão do que viveu

E ecoa