Alarme Falso.


ALARME FALSO
(DE UM FÔLEGO SÓ)
RICARDO BRANCO

Espero para não assustar o sono que não está na memória, como a chave que se adaptava confortável à fechadura que me conduz à rua, como se um convite que viesse de você estivesse lá fora, fora, fora, fora. E todo o tempo que vejo que nada acontece, nada para e me conta como eu devo sentir, nem mesmo a parede, a cama, a rede; nada além de um alarme falso para me deixar na expectativa de dormir de novo e sonhar, porque talvez eu possa vir a ser somente eu mesmo. Um tanto cego, ainda observo o espaço das coisas, distante dos casuísmos que rondam a casa, porta aberta. Toda vez que tento ir para longe, pra longe de qualquer lugar, parece que vejo você me pedindo pra não soar meu alarme falso de que somos os mesmos que antes e que podemos estar somente sonhando.